Confinamentos? "Há serviços públicos já com dificuldades de resposta por falta de pessoal"

A Federação de Sindicatos da Administração Pública indica que o elevado número de trabalhadores confinados já está a ter consequências e apela ao Governo que tome medidas, nas próximas semanas, para acautelar a resposta dada aos cidadãos.

A Federação de Sindicatos da Administração Pública (FESAP) afirma que já se sentem dificuldades de resposta em alguns serviços, devido ao elevado número de funcionários públicos confinados. Os sindicatos revelam também que os serviços públicos não têm recebido quaisquer indicações do Governo em termos de planos de contingência, para o caso de haver falta de pessoal, perante a forte disseminação da variante Ómicron do coronavírus.

Em países como Reino Unido, as autoridades já pediram planos de contingência à administração pública, para precaver a falta de trabalhadores para assegurar os serviços, dado o aumento do número de infetados e confinados. Mas em Portugal, por enquanto, de acordo com a FESAP, a medida ainda não está em prática.

"Para já, não temos nenhuma informação de que haja formas rápidas de substituir os trabalhadores que estejam em quarentena - e são muitos", revela José Abraão, secretário-geral da FESAP, em declarações à TSF. "Há serviços onde se nota já dificuldades na resposta, por falta de pessoal", frisa.

O dirigente sindical refere que, "seja nos registos notários, na segurança social, no SNS, ou nas escolas, em que há muita gente infetada e que está de quarentena", há que tomar medidas para "assegurar os serviços mínimos, para que possa continuar a resposta necessária aos cidadãos".

"É preciso que esta situação esteja permanentemente em cima da mesa e que o Governo faça uma avaliação da situação de forma a criar as condições para uma resposta nas próximas semanas", alerta José Abraão.

O secretário-geral da FESAP lembra ainda que a pandemia está também a empurrar cada vez mais trabalhadores para o teletrabalho e que é necessário garantir que as novas regras são respeitadas.

"Já que temos uma nova lei do teletrabalho, é preciso que os serviços respondam no que diz respeito ao pagamento do acréscimo de despesas, aplicando-se a lei, e melhorar os mecanismos de controle e fiscalização pelas instituições que têm essa obrigação", nota.

Contactado pela TSF, o Ministério da Modernização do Estado e da Administração Pública afirma que o Executivo está a acompanhar "em permanência a evolução da situação pandémica, avaliando a eventual necessidade de medidas específicas neste domínio".

O gabinete da ministra Alexandra Leitão refere ainda que "os serviços públicos encontram-se a funcionar com normalidade, sendo competência dos dirigentes superiores de cada serviço verificar em permanência as condições do respetivo funcionamento (...) no quadro dos planos de segurança e saúde no trabalho". A tutela adianta também que "os trabalhadores dos serviços públicos que funcionam nas Lojas de Cidadão, por exemplo, têm sido testados semanalmente" e que, até ao momento, "apenas um serviço de uma destas lojas esteve encerrado durante três dias, tendo entretanto reaberto".

Notícia atualizada às 17h37

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