Consultar horários alargados dos centro de saúde é tão difícil que muitos "desistem pelo caminho". Veja como fazê-lo aqui

Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde considera que disponibilizar horários online não chega para ajudar verdadeiramente os utentes.

O portal do SNS vai ter informação atualizada diariamente sobre os centros de saúde com horário alargado ou com atendimentos suplementares, mas isso não vai evitar a sobrelotação das urgências hospitalares, alerta a Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde.

A medida faz parte do Plano Estratégico do Ministério da Saúde: Resposta Sazonal em Saúde - Inverno 2022-2023 e foi apresentada esta quarta-feira pelo ministro da Saúde, mas para ter acesso à informação sobre horários é preciso seguir vários passos:

1 - Entrar no Portal do SNS;

2- Selecionar "resposta sazonal em saúde";

3 -Clicar em "medidas prioritárias";

4 - Seccionar "medidas para o cidadão";

5 - Clicar em cima cima do mapa, que remete para outra página com informação detalhada dos centros de saúde.

Pode consultar aqui os horários alargados da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo

Também há centros de saúde com horário alargado ou atendimento complementar a região Norte, e qualquer momento podem ser abertos outros, noutras regiões, mas à data de publicação desta notícia estava apenas disponível a página associada à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo.

O presidente da mesa da assembleia da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde, Rui Nogueira, alerta que tantos passos podem acabar por afastar o utente e levá-lo a optar pelas urgências ou mesmo desistir dos cuidados de saúde.

"Não resolve, de todo o problema, porque as pessoas que mais precisam são aquelas que menos têm condições de usar" plataformas online, nota. "Um em cada quatro portugueses tem mais de 65 anos (...) e a verdade é que à medida que a idade vai avançando começa a haver mais problemas para conseguirmos navegar, seja no Serviço Nacional de Saúde, seja nas aplicações informáticas."

Rui Nogueira lamenta "mais uma iniquidade, ou seja, mais um desequilíbrio no acesso". O resultado é que muitos utentes não consigam chegar a lado nenhum porque acabam por "desistir pelo caminho".

Os próprios médicos têm dificuldade em trabalhar com as aplicações informáticas nos centros de saúde, lembra o representante da Sociedade Portuguesa de Literacia em Saúde.

"Nós próprios, sendo profissionais de saúde, a dada altura temos que a andar a descobrir e a demorar muito tempo para conseguirmos navegar. Temos uma aplicação informática de utilização diária que já é obsoleta, é um quebra-cabeças. Custa mais trabalhar com o computador do que propriamente trabalhar com o doente."

Para tentar resolver o problema, Rui Nogueira defende uma maior literacia em saúde, com um maior envolvimento "de estruturas próximas das pessoas", por exemplo, das juntas de freguesia ou escolas.

"Todos temos que contribuir para todos. Todos temos que desenvolver a literacia em saúde", defende.

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