Consultas hospitalares à distância aumentam mais de 600%

É um dos efeitos colaterais da pandemia, em contrapartida há muitas queixas de que ninguém atende o telefone nos centros de saúde. O Plano Nacional de Telessaúde tem algumas propostas, uma delas cria balcões de saúde nas juntas de freguesia para quem não sabe usar a internet ou quer fazer teleconsultas.

Na Junta de Freguesia de Arruda dos Vinhos a grande procura do Balcão SNS24 é para tratar de "papelada". "As pessoas vêm cá sobretudo para marcar consultas ou resolver problemas administrativos, geralmente o que não conseguem fazer no centro de saúde porque há muita dificuldade em atender tanto telefonema." João Roque nota que o serviço ainda é muito novo, "abrimos em julho" e os médicos do Agrupamento de Centros de Saúde não parecem estar muito virados para as teleconsultas, "ainda".

No coração de Lisboa, a Junta de Freguesia da Penha de França tem mais procura presencial no Posto Médico do que nas teleconsultas no Balcão SNS24, numa sala ali ao lado. Patrícia Ribeiro apresenta-se como "mediadora digital". "Vamos tendo alguns utentes aqui do bairro a procurar consultas pelo computador, mas a maioria dos utentes telefona-nos para fazer atualização de dados ou para emitir certificados, até de fora de Lisboa."

São atualmente 140 balcões, mas "queremos que sejam alargados a todo o país, e não só nas juntas de freguesia". É a meta de Luís Goes Pinheiro, presidente dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, organismo responsável pelo Plano Nacional de Telessaúde.

Um plano que, como o resto, foi baralhado pela pandemia. As consultas nos centros de saúde passaram a ser quase sempre à distância e nos hospitais chegou-se a um crescimento muito próximo dos 650%, no último ano.

O Portal da Transparência do SNS confirma que aconteceu com as teleconsultas de especialidade, tanto nas primeiras como nas seguintes, comparado com setembro de 2020. A região do Algarve é a única exceção.

Luís Goes Pinheiro garante que um dos próximos passos já em preparação dá pelo nome de Telemonit, "um sistema que vai permitir aos profissionais nos serviços de saúde acompanharem os doentes no seu domicílio e fazerem propostas, prescrições ou recomendações sempre que necessário".

Porventura a novidade mais desejada será o sistema para "pré atendimento telefónico dos utentes que ligam para os centros de saúde". Em vez de ficarem tempos infinitos à espera que alguém responda ao telefone "Estou sim!" haverá uma gravação "onde o utente pode deixar a sua identificação e explicar desde logo se pretende renovar receituário ou marcar consulta", explica o presidente dos SPMS.

De volta à Junta de Freguesia da Penha de França, o serviço de saúde de maior procura continua a ser o Posto Médico, criado já nos anos 60. É por ele que ali estão, na sala de espera e sem muito que esperar, Idalina e Helena.

"Fui muito bem atendida desde a primeira vez e volto sempre", conta Helena entre respirações ruidosas que mostram o que aqui a traz. "No centro de saúde, nem pelo telefone somos atendidas, tornou-se muito complicado depois da pandemia."

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