Controlo da Covid começa a ser difícil "a partir dos 6 mil ou 7 mil casos"

O aviso foi feito pelo matemático Carlos Antunes durante a participação no Fórum TSF, onde traçou o mapa do país consoante a propagação da variante Ómicron.

Carlos Antunes, professor de matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, alertou que o país não deve atingir a marca dos 6 mil ou 7 mil casos diários de Covid-19, porque dificulta a contenção da pandemia.

"Há que tomar ações preventivas, de forma a evitar que os números ultrapassem aquilo que por nós deixa de ser controlável. Do meu ponto de vista, até porque serão estes números que poderão contribuir para 255 camas em cuidados intensivos, a partir dos 6 mil ou 7 mil casos começa a ser difícil o controlo da propagação da infeção", avisou Carlos Antunes durante a participação no Fórum TSF.

O matemático considera que, atualmente, o número de rastreadores deveria ser mais elevado, por causa da média de casos diários: "Os relatórios das linhas vermelhas têm reportado uma média nas últimas três semanas de 500 rastreadores. Atualmente, com a média diária nos 4.500 casos devíamos estar já com 800 rastreadores por dia. Se ultrapassarmos os 6 mil casos diários, precisamos de passar para cima dos mil rastreadores por dia. Há um limite de recursos da saúde pública para rastrear e monitorizar a propagação da infeção, portanto temos de atuar a montante com outras medidas não farmacológicas complementar de forma a evitar essa pressão nos serviços de saúde pública".

Carlos Antunes também delineou o mapa do país em relação à progressão da variante Ómicron, aquela que neste momento preocupa mais as autoridades de saúde. "Há regiões que dão sinal de que a Ómicron possa já ser dominante, como a Região Autónoma da Madeira e também a região de Lisboa e Vale do Tejo. Existem outras regiões, como a região do Centro que já passou o pico, está a diminuir o número de casos, significando que nessa região ainda é dominante a variante Delta. A região Norte também verifica um pico e uma ligeira diminuição, tal como a região do Algarve", explica.

Em Lisboa e Vale do Tejo, o professor de matemática ainda faz uma análise sobre as faixas etárias. A que se destaca no aumento abrupto de casos é a faixa etária dos 20 aos 29 anos, seguida pela dos 30 aos 39 anos, No terceiro lugar aparece a faixa entre os 10 e os 19 anos. Isto quer dizer que são essas faixas etárias que " estão como motores da transmissibilidade", segundo Carlos Antunes.

Para o Presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia, Paulo Paixão, o Governo não tem tarefa fácil na decisão de colocar restrições, porque o teletrabalho obrigatório e o fecho das escolas durante a semana da contenção já estejam decididos. Por isso, sobra o setor dos bares e das discotecas que o virologista acredita que acarreta mais riscos de contágio.

"Eventos em que apareça uma pessoa que tem escapado. Que teve teste negativo e que esteja a transmitir num evento destes. Numa festa em que as pessoas se mexem e estão à vontade, ela vai transmitir seguramente a outras pessoas e originar assim uma cadeia. É este o grande receio que é legítimo. Eu estava a ouvir [o Fórum TSF] e entendo perfeitamente o que as pessoas estão a dizer e é absolutamente dramático. Não sei o que é que o governo vai decidir, mas provavelmente vai tocar nestes pontos, porque não há muito mais para tocar. Não acredito que eles vão fechar a restauração à noite como fizeram no ano passado na altura da passagem de ano. Penso que não chegará a isso, portanto será sobretudo nos eventos com um maior número de pessoas e onde o risco é maior", argumenta Paulo Paixão.

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