Graça Freitas alerta para "transmissibilidade muito elevada". Portugal com 60 mil casos nos últimos 7 dias

A diretora-geral da Saúde indica que "ainda estamos longe de chegar a uma atividade que nos permita ter um verão descontraído e seguro". A incidência da Covid-19 no país ainda é elevada, apesar de uma "tendência decrescente".

A diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, faz, esta quarta-feira, um balanço da situação epidemiológica relativamente à Covid-19 em Portugal, reforçando o apelo à adoção de medidas de proteção individual no período da Páscoa.

Com as festividades à porta, Graça Freitas começou por alertar para o facto de a epidemia manter uma "transmissibilidade muito elevada", apesar da tendência geral decrescente e Rt inferior a 1.

"O número de casos Covid-19 reportados nos últimos sete dias rondou os 60 mil. Ainda estamos longe de chegar a uma atividade que nos permita ter um verão descontraído e seguro. Este vírus e as condições de imunidade da população permite-nos ter um impacto menor nos serviços de saúde, mas ainda assim estamos com uma incidência elevada e não nos podemos esquecer", alertou Graça Freitas na conferência de imprensa desta quarta-feira.

Sem saber como serão os próximos meses a nível epidemiológico, Graça Freitas pede "toda a proteção que conseguirmos" nesta Páscoa.

"Apela-se a que todos os cidadãos tenham uma estratégia de proteger os mais vulneráveis: os mais velhos, os mais doentes e os que estão em instituições. Nesta época de Páscoa vai haver contacto, por isso recomendamos que os doentes com Covid-19 se mantenham isolados. Recomendamos o arejamento dos espaços fechados, a utilização de máscaras e distância física", aconselhou a diretora-geral da Saúde.

O aumento do número de casos não surpreende Graça Freitas, que vê esta tendência como uma consequência do alívio de medidas.

"Se convivermos mais, tirarmos a máscara e não tivermos cuidados vamos ter um aumento do número de casos", explicou.

Páscoa: "Não estamos a prever um aumento exponencial do número de casos"

Apesar de a Páscoa ser uma época de convívio, Graça Freitas não espera um grande aumento do número de casos, pois acredita que os portugueses estão conscientes de como se devem proteger e proteger os outros.

"Não estamos a prever um aumento exponencial do número de casos, no entanto há esse risco e é por isso que estamos a pedir às pessoas que tenham ainda nos próximos dias algumas medidas de contenção", considera.

Fim da obrigatoriedade do uso de máscara?

Graça Freitas relembra que os especialistas consideraram "seguro" abandonar o último conjunto de medidas restritivas quando "a mortalidade descesse além dos 20 óbitos por milhão de habitantes a 14 dias".

"Essa é a barreira. Estamos otimistas que à medida que a incidência diminui, isso tenha repercussões na mortalidade", diz, sublinhando que "vamos observar o comportamento da doença nas próximas semanas e logo que possível libertamos a sociedade das últimas medidas restritivas".

"Mas, neste momento, já estamos a fazer uma vida praticamente normal", nota, alertando que, mesmo que não seja obrigatório, a DGS vai continuar a recomendar a máscara nos serviços de saúde e lares de idosos "para proteger os mais vulneráveis".

Apesar de acreditar que o uso de máscara vai deixar de ser obrigatório, a DGS não prevê que a medida de restrição deixe de existir tão cedo como se esperava.

"Não tendo o dom de prever o futuro, se não surgir uma outra linhagem da variante Ómicron a tendência da epidemia é decrescente, mas está em níveis muito elevados. Ainda temos de baixar, como sociedade ainda estamos em níveis epidémicos muito elevados", afirmou Graça Freitas.

Questionada sobre uma previsão para atingir os 20 óbitos por milhão de habitantes a 14 dias, Graça Freitas refere que foram feitas várias projeções "que não se vieram a verificar". "Temos de ser cautelosos e esperar a consolidação desses dados. Estamos a descer, mas ainda não chegamos a um patamar baixo", considera.

Retirar as máscaras nas escolas "é um risco ainda grande"

A diretora-geral da Saúde reforça que a utilização de máscaras nas escolas "é segmentada em função do risco e das crianças suportarem o seu uso". Por essa razão, "só os mais velhos, a partir dos 10 anos, têm a recomendação de usar máscara".

A população escolar tem uma "grande proteção imunitária", mas Graça Freitas alerta que há ainda uma grande parte que é "suscetível" ao vírus, sendo que as crianças são vetores de transmissão aos vulneráveis.

A máscara pode ser uma barreira, reconhece Graça Freitas, mas "retirar essa barreira é um risco ainda grande com a transmissibilidade neste momento".

Para quando uma quarta dose da vacina?

Questionada pela TSF sobre a administração da quarta dose da vacina contra a Covid-19, Graça Freitas refere que a questão "não é se é necessária, mas sim para quem é necessária no futuro, e o seu timing". "Quem nos vai dando essa indicação é a evolução da pandemia. Se surgir uma nova vaga, terá de ser ponderada. Se durante o verão não houver nova vaga, ponderamos para mais tarde, mais próximo do inverno", explica.

Graça Freitas esclarece ainda que, apesar de elevada, "a incidência não está a aumentar, está estável e com tendência decrescente" e frisa que estão a ser apurados os números de reinfeções.

Sobre a gripe, a diretora-geral da Saúde não avança números, mas está "com forte atividade e sintomatologia alta, embora a mortalidade seja baixa".

DGS apela aos finalistas que tenham "cuidado"

Relativamente às viagens de finalistas, Graça Freitas apela aos mais jovens que continuem "com cuidados" aquando do regresso, nomeadamente, utilizando a máscara, higienizando as mãos e praticando o distanciamento físico, "para não propagarem a doença caso a tenham contraído". A DGS pede ainda que em caso de sintomas seja feito o teste e, caso seja positivo, devem isolar-se. Caso estejam assintomáticos ou tenham tido contacto com alguém positivo, devem fazer o teste.

O Governo prolongou na terça-feira a situação de alerta devido à pandemia de Covid-19 até ao dia 22 de abril, segundo o comunicado do Conselho de Ministros.

A situação de alerta, nível mais baixo de resposta a situações de catástrofes da Lei de Base da Proteção Civil, terminava no próximo dia 18.

"Foi aprovada a resolução que prorroga a declaração da situação de alerta, no âmbito da pandemia da doença Covid-19, até às 23h59 do dia 22 de abril de 2022", refere o comunicado.

Segundo o Governo, a resolução "mantém inalteradas as medidas atualmente em vigor".

Entre as medidas em vigor está a obrigatoriedade do uso de máscara em espaços interiores públicos, serviços de saúde e transportes.

Para quem não tem a dose de reforço da vacina contra Covid-19, mantém-se a obrigatoriedade do teste negativo ao coronavírus SARS-CoV-2 nas visitas a lares e em estabelecimentos de saúde, tendo em conta que são grupos de especial vulnerabilidade.

Na terça-feira, Graça Freitas lembrou que o fim da obrigatoriedade de uso de máscara está dependente dos números da mortalidade e que Portugal ainda não atingiu esse valor.

"Apesar de estar com valores que não têm uma grande gravidade, o indicador que nós queríamos ver descer para decidir retirar outras medidas era a mortalidade. Há um valor, que é o valor de 20 óbitos por milhão de habitantes em 14 dias, que é o valor que o ECDC considera seguro para os países tomarem medidas menos restritivas. Nós tínhamos essa meta, os especialistas transmitiram essa meta ao Governo e temos estado à espera desse valor", explicou a diretora-geral da Saúde, em entrevista à SIC Notícias.

Graça Freitas revelou em que ponto está Portugal: "Íamos em muito bom caminho para atingi-lo, quando a curva da mortalidade fez uma ligeira inflexão e agora está num patamar de estabilidade, mas acima desse valor. Nesta última semana foi de 28,5 óbitos por milhão de habitante nos tais 14 dias."

"Não é a máscara sozinha que faz baixar esse número. Mas o que nós temos algum receio é que, estando este número elevado, quando tirarmos mais uma medida restritiva que se abra outra vez uma comporta, mesmo que seja pequena, e que voltemos a assistir a um aumento de casos", concluiu.

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