Covid-19 foi responsável por 1 em cada 9 mortes em Portugal na última semana

Pandemia começa a ter um impacto forte, direto, nos números totais da mortalidade no país, tendência que deve manter-se nas próximas semanas.

A mortalidade em Portugal atingiu números historicamente altos na última semana e desta vez o grande fator a contribuir para o aumento é mesmo a Covid-19. Dos 2.564 óbitos registados entre 29 de outubro e 4 de outubro, os primeiros sete dias em que a pandemia matou, de forma consistente, mais de três dezenas de pessoas diariamente, num patamar poucas vezes ultrapassado na primeira vaga, a Covid-19 foi responsável, segundo os boletins da Direção-Geral da Saúde (DGS), por 299 óbitos - 11,7% ou 1 em cada 9 óbitos.

Tal como em várias outros períodos de 2020, nesta última semana a mortalidade em Portugal atingiu o número mais elevado alguma vez registado na última década, mas agora, ao contrário de outros períodos, o coronavírus é, diretamente, o grande impulsionador do aumento.

Segundo o sistema de vigilância da mortalidade da DGS, desde 2009 o ano com mais mortes no período homólogo tinha sido 2019, com 2.149, mas agora, em 2020, subiu para 2.564, +19,3%.

A diretora da Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, Carla Nunes, acredita que ao nível da mortalidade o mais provável é que os números permaneçam muito elevados nas próximas semanas pois avançam, por norma, com atraso em relação ao número de contágios - isto se se mantiverem os mesmos padrões de grupos etários afetados.

"Estes números vão aumentar e demora sempre duas a três semanas a existir qualquer consequência de uma ação ou de uma medida até chegar aos mortos, sendo que, ao dizer duas ou três semanas, estou a ser 'simpática' pois pode ser mais", detalha a especialista em saúde pública.

Carla Nunes refere que "as mortes que estão a subir são consequência das subidas que tivemos no número de casos há três semanas atrás, e infelizmente espera-se que, mesmo quando começarmos a achatar um pouco a curva, as mortes demorem um pouco a achatar e a diminuir: primeiro, achata-se a curva dos casos, depois, dos internamentos e, só depois, a curva das mortes".

A notícia menos má, diz a diretora da Escola Nacional de Saúde Pública, é que os números de novos casos de Covid-19 contados nos últimos dias revelam uma tendência que, pelo menos, não mantém a trajetória tão ascendente das semanas anteriores, podendo falar-se, como já referiu o Ministério da Saúde, naquilo que parece ser uma desaceleração.

LEIA TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de