"Crescer pelo Mar", um projeto que leva jovens em risco a preservar os oceanos

Levar jovens a compreender os perigos da existência de plástico nos mares é o objetivo do projeto.

É subir para o barco que ele está de partida. "Vamos lá", diz Ricardo Barradas ao grupo de meninas que já está à sua espera no cais. Ricardo é o presidente da Associação Para o Estudo e Conservação dos Oceanos (AECO). Ajuda cada uma das jovens a subir para a embarcação atracada e amarrada ao ancoradouro. Explica o que têm estado a fazer no projeto "Crescer pelo Mar"." Estamos a fazer recolha de amostras de água e também campanhas de limpeza nas praias", conta.

Ricardo adianta que a ideia é, além de sensibilizar este grupo, levar as jovens a passar a palavra aos seus pares nas escolas. O objetivo "é sensibilizar a comunidade escolar para o problema dos consumos [de plástico]", refere. Uma atividade que nestes tempos de pandemia tem aumentado.

As jovens da Associação de Proteção à Rapariga e Família vão neste dia até à ilha da Culatra recolher todo o plástico que encontrarem. "Já apanhámos rolhas, garrafas", conta Jéssica. Tem 15 anos e admite que até gostava de ser um dia bióloga marinha. "Mas temos de ter muitos estudos, saber ciência e matemática", diz, contrariada. Acaba por admitir que a sua dificuldade é mesmo a matemática.

Já para Bruna, 17 anos, estas saídas para o mar, mesmo que sejam para apanhar plástico,fazem toda a diferença. Até porque, sublinha, há muita gente da sua geração que continua a não ligar à poluição nos mares. "Vão continuar a poluir mais e mais e vamos perder os habitats que são lindos lá em baixo", lamenta. Embora queira ter um dia a profissão de veterinária, Bruna afirma que vir para o mar é "sentir-se livre" e admite que gostaria de fazer mergulho para ver as maravilhas que só observa nos documentários de televisão.

A presidente da associação incentiva aos jovens. "Não há limites para os sonhos", diz-lhes. Filomena Rosa considera que estas parcerias e projetos como o "Crescer pelo Mar" levam estas meninas, que foram acolhidas e pertencem a famílias em risco, a sonhar com um futuro diferente. "A ideia da associação é também mostrar-lhes atividades ligadas ao mar que lhes podem trazer perspectivas de futuro profissional", afirma.

Por isso, é sempre possível que um dia a Jéssica consiga andar pelos oceanos e ser bióloga marinha e ver a Bruna a mergulhar para observar as belezas no fundo do mar .

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