Cuidados intensivos. Hospitais têm de ativar rapidamente planos de contingência e contratar enfermeiros

Responsável escolhido pelo Governo para acompanhar resposta dos cuidados intensivos na pandemia sublinha igualmente a necessidade de contratar meios humanos para trabalhar com os ventiladores.

O presidente da Comissão de Acompanhamento da Resposta Nacional em Medicina Intensiva para a Covid-19 e da Sociedade Portuguesa de Cuidados Intensivos diz que vários hospitais têm de ativar "rapidamente", os planos de contingência com o escalar de novos infetados e contratar mais meios humanos para estes serviços.

João Gouveia explica à TSF que com os números dos últimos tempos o mais provável é que em breve os doentes cheguem em maior quantidade à medicina intensiva.

Sozinhos os ventiladores não tratam doentes

Os muito falados ventiladores já chegaram e estão a ser distribuídos, mas "é preciso pessoas pois o material sozinho não trata os doentes: são necessários médicos, enfermeiros, auxiliares e circuitos para a transferência dos doentes e resolução dos problemas. Neste momento é extraordinariamente importante arranjar espaços para ter os equipamentos e pessoal para tratar os doentes, sendo este passo do pessoal, da organização e do funcionamento aquele passo que temos de dar rapidamente", detalha.

João Gouveia, nomeado pelo Governo em abril como presidente da comissão, diz que neste momento, com a procura que ainda existe nos hospitais, há folga em termos de medicina intensiva, apesar das diferenças entre regiões - a Norte os hospitais estão mais sobrecarregados do que no Centro.

Mesmo assim "ainda há capacidade de resposta instalada, mas é preciso que os hospitais coloquem em funcionamento os seus planos de contingência de uma forma atempada para não entrarmos numa situação de rutura de ter de parar ou reduzir francamente a atividade programada".

Planos de contingência

Sobre a ativação dos planos de contingência, João Gouveia afirma que "há hospitais - não lhe vou dizer nomes - que têm rapidamente de voltar ao nível de preparação que estavam em março. Não sendo obrigatório interromper a atividade, é necessário tomar as medidas para não chegarmos a esse ponto".

O responsável da comissão que acompanha os cuidados intensivos refere que está não apenas a falar de hospitais a Norte, mas também de hospitais em Lisboa e Vale do Tejo, "as duas regiões mais pressionadas" com casos de covid-19, sendo "expectável que serão a zonas, à partida, que terão internamentos hospitalares e procura da medicina intensiva".

Contratar rapidamente

Voltando ao tema dos recursos humanos, João Gouveia defende que para que não se interrompa a restante atividade nos hospitais é preciso que "exista autorização e que os hospitais consigam contratar, principalmente enfermeiros, para poderem abrir camas que existem, e que já estiveram abertas em determinadas fases, de forma a que não haja depois uma sobrecarga dos outros hospitais e a que os hospitais como um todo mantenham a atividade programada"

O especialista em medicina intensiva sublinha que o país não pode voltar a parar a atividade de atendimento aos doentes não-covid como em março e abril: "Para que não haja problemas a atender os doentes não-covid também não podem existir problemas no atendimento aos doentes covid. Nenhum doente por ser ou não covid tem de ter vantagem em relação a outro", conclui.

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