Curry Cabral com mais doentes Covid-19 do que no pico da pandemia

Numa situação-limite, o hospital Curry Cabral pode chegar perto das 300 camas.

O Hospital Curry Cabral, a unidade de referência para a Covid-19 e, Lisboa, já tem enfermarias destinadas ao combate à pandemia cheias e está também a começar a utilizar a enfermaria destinada a cirurgias para acomodar doentes da pandemia.

O Centro Hospitalar de Lisboa Central, do qual faz parte o Curry Cabral - mas também o Hospital de São José - já entrou na segunda fase de um plano com oito níveis. A gestão faz-se dia a dia e, por vezes, hora a hora: se no São José as camas de Cuidados Intensivos já estão quase esgotadas, no Curry Cabral já há mais doentes Covid-19 do que no pico da pandemia.

É no São José que, para já, se concentram os casos mais graves de entre os que estão em Cuidados Intensivos. Nem sempre há folga. Quando há, é muito curta.

"Temos dez camas dedicadas e neste momento temos oito doentes", explica Rosa Valente de Matos, a responsável pela administração dos seis hospitais de Lisboa Central. "Podemos ir, com algumas adaptações e obras, numa primeira fase até 86 camas de Cuidados Intensivos", explica, num número que pode subir até às 96.

A esperança da responsável é a de não ter de chegar a um cenário de necessidade de garantir a capacidade máxima porque, além de obras, exigira muito mais pessoal de saúde. Nas enfermarias do Curry Cabral as contas também já estão feitas: há mais gente que nos piores dias da primavera passada.

"Temos oito fases e estamos quase na segunda: já temos o que chamamos enfermarias "infecto" e enfermarias Covid cheias. Estamos já a ocupar uma enfermaria que era dedicada à cirurgia", o que tem obrigado o hospital a diminuir a atividade cirúrgica programada. "Vou tentar compensar com a cirurgia ambulatória", revela.

No pior cenário, admite Rosa Valente de Matos, tanto os Cuidados Intensivos do São José como as enfermarias do Curry Cabral podem não chegar. "Vamos esperar que isso nunca seja necessário", deseja.

O Curry Cabral "pode ir até cerca de 300 camas", algo que "se for necessário" terá de ser feito. "Os doentes que são menos urgentes terão de ficar para mais tarde", admite.

O aumento dos casos de Covid-19 leva à perda de espaço dos doentes que esperam por consultas ou cirurgias. Esta terça-feira, Portugal registou mais 16 mortes relacionadas com a Covid-19 e 1208 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS).

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