Curva da Ómicron é "quase um arranha-céus". Variante chega aos 50% no Natal e 80% no final do ano

A ministra da Saúde adianta que a efetividade das vacinas após a dose de reforço "anda em 70% a 75%".

A Ómicron é uma "nova dificuldade" e até às 14h00 de 14 de dezembro tinham sido sequenciados "69 casos desta variante pelo INSA", anunciou Marta Temido.

A ministra da Saúde referiu que a estimativa da presença da variante revela que a prevalência "ronda já os 20%", podendo "chegar a 50% na semana do Natal e a 80% na semana da final do ano". A ministra disse que as estimativas do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge apontam para uma duplicação de casos da variante Ómicron a cada dois dia, sublinhando a "aparente menor gravidade da doença e consequente (menor) letalidade e a aparente diminuição da efetividade vacinal após o esquema primário conta a infeção".

A efetividade vacinal após dose de reforço é estimada "anda em 70% a 75%", disse Marta Temido, apelando à vacinação.

"O tradicional formato de evolução da curva da incidência é substituído por uma parede, quase que um arranha-céus de casos", explicou a ministra em relação ao que se observa noutros países relativamente à Ómicron.

Marta Temido sublinhou a incerteza sobre o comportamento desta nova variante do coronavírus e afirmou que "os próximos dias serão decisivos para perceber o impacto da variante Ómicron do coronavírus SARS-CoV-2 e da "resposta proporcional" aplicada com as medidas definidas pelo Governo.

"O que sabemos é que, se a variante se transmite mais, cada um tem de fazer mais. Mais uso de máscara, mais testes, mais vacinação e mais controlo de fronteiras. Todos temos de estar preparados para fazer mais", avisou Marta Temido durante a conferência de imprensa sobre a situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal.

Ómicron: vantagem na transmissibilidade mas "grande incógnita" nos hospitais

Baltazar Nunes, da Escola Nacional de Saúde Pública, assinalou que os estudos ainda têm "uma larga margem de incerteza", dependentes da maior transmissibilidade da Ómicron, mas com uma expressão "que ainda é uma grande incógnita" ao nível das hospitalizações.

Sobre as vacinas, "tudo sugere que a efetividade seja menor contra infeção, mas contra hospitalização não se sabe".

Os especialistas ainda não conseguem definir "cenários claros", mas admitem que alguns venham a ultrapassar as linhas vermelhas definidas ou até que obriguem a novas medidas para conter a epidemia.

No entanto, o contrário também é um cenário possível, uma vez que a efetividade das vacinas pode garantir que não são ultrapassadas as linhas vermelhas.

"Temos de esperar mais alguns dias", reforçou Baltazar Nunes.

Ómicron "infetará melhor pessoas que já tenham algum grau de imunidade"

"Está muito longe de ser verdadeiro" que a Ómicron tenha uma transmissibilidade 70 vezes superior. Ainda assim, "é muito mais transmissível do que qualquer outra variante que tenha circulado em Portugal", reconheceu João Paulo Gomes, do INSA.

À data de ontem, e segundo dados laboratoriais, "estaremos com cerca de 20% dos casos de Covid-19 no país a serem causados pela Ómicron", de acordo com amostras com diversidade geográfica.

"Estimamos que no fim do ano mais de 90% dos casos já sejam causados pela Ómicron", estimativas que estão em linha com as da Dinamarca e Reino Unido.

A maior transmissibilidade "deve-se sobretudo a dois fatores: o primeiro é o tipo de mutações que tem. Faz com que, reconhecidamente, sejam mutações associadas à zona do vírus que se liga às nossas células e, por isso, o vírus entra melhor, infeta melhor. Por outro lado, algumas dessas mutações afetam, aparentemente, a ligação aos nossos anticorpos. Portanto, em teoria, infetará melhor pessoas que já tenham algum grau de imunidade", alertou.

Não há, também, "qualquer indicação" que os testes existentes no mercado sejam menos eficazes contra a variante Ómicron.

Vacinar, testar, conter e arejar. As recomendações para este Natal

A vacinação das crianças de 11, 10 e 9 anos começa este fim de semana, recordou Marta Temido, que pediu que a adesão à dose de reforço continue a ser positiva.

A vacinação, a utilização de máscaras, a realização de testes, evitar contactos e cumprir a semana de contenção são recomendações do Governo à população, a que se junta a necessidade de arejar os espaços fechados, como Graça Freitas já sublinhou esta manhã na TSF.

Administradas mais de 2,2 milhões de doses de reforço

O país "tem conseguido manter a situação epidemiológica controlada", garantiu a ministra da Saúde, que recordou as medidas tomadas até aqui, e revelou que "até ontem tinham sido administradas mais de 2,2 milhões de doses de reforço".

"Mais de 80% dos maiores de 80 anos estão mais protegidos", adiantou também.

SNS a preparar respostas alternativas sociais, privadas e militares

O Governo tem a possibilidade de "expandir" a utilização de máscara, mas escolheu manter apenas a obrigação em espaços fechados, que devem ainda assim estar arejados.

"Nos espaços públicos em que se aglomerem pessoas é também aconselhável a sua utilização", recordou a ministra da Saúde.

Os hospitais estão com uma taxa de utilização que "começa a ressentir-se" do aumento da procura. "Prevemos naturalmente um agravamento", reconheceu Marta Temido, que revelou que já foram contactados os setores privado, social e algumas unidades militares no sentido de reforçar a resposta.

"Tínhamos na semana passada já contratadas mais de 400 camas e as ARS tinham celebrado 38 acordos para o encaminhamento de doentes", explicou.

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