"Danos na socialização e bem-estar." Há alunos que nunca tiveram um "ano completo de aulas presenciais"

O presidente da Associação de Agrupamentos e Escolas Públicas aplaude a iniciativa do Governo, de avaliar os efeitos da pandemia na saúde mental dos alunos até ao ensino secundário, e sublinha que há danos na socialização e bem-estar de muitos alunos, devido à instabilidade das medidas de contenção, que impedem, por alguns períodos, as aulas presenciais.

O presidente da Associação de Agrupamentos e Escolas Públicas reage com satisfação à iniciativa do Ministério da Educação, de avaliar os efeitos da pandemia na saúde mental dos alunos até ao ensino secundário, porque, garante, há um impacto inegável na socialização e no bem-estar dos estudantes, desde o básico.

"É uma iniciativa louvável, porque abrange a faixa etária do primeiro ano até ao 12.º, sobretudo aquela faixa etária dos alunos mais jovens, do primeiro ciclo. Alguns deles ainda não tiveram um ano completo de aulas presenciais." Filinto Lima fala desses alunos com especial atenção, já que considera que são os maiores prejudicados. "Os alunos que agora estão no terceiro ano de escolaridade fizeram o primeiro e o segundo anos sem estarem em permanência nas escolas", aponta o responsável, em declarações à TSF.

Filinto Lima assegura que esta alternância entre regime presencial e remoto "causa danos ao nível da socialização, ao nível do bem-estar emocional", e alerta para a necessidade de reforçar a presença de psicólogos nas escolas. "Todas as escolas têm, pelo menos, um psicólogo."

No entanto, o presidente da Associação de Agrupamentos e Escolas Públicas acredita que, deste estudo resultará que "o Ministério da Educação poderá e deverá reforçar o número de psicólogos nas escolas", bem como de outros técnicos especializados, como os educadores sociais, os assistentes sociais e mediadores.

O Ministério da Educação anunciou que vai avaliar os efeitos da pandemia na saúde mental dos alunos até ao ensino secundário. Margarida Gaspar de Matos, psicóloga clínica e professora na Faculdade de Motricidade Humana, é quem vai coordenar o grupo de trabalho, e revelou à TSF que as equipas vão estar no terreno já a partir do próximo mês. "O Ministério da Educação tem planeada - e eu sei porque vou coordenar esse grupo - uma avaliação do bem-estar psicológico das crianças todas do país, dos cinco anos até ao 12.º ano. Vamos fazer isso porque estamos preocupados com o impacto, em termos do bem-estar psicológico, que toda esta situação possa ter nos alunos. Estamos todos a trabalhar em contrarrelógio para que as coisas sejam feitas ainda durante o mês de janeiro", explicou Margarida Gaspar de Matos.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de