"De que cor é o cancro?" Para a Luana tem a cor da igualdade

"De que cor é o cancro?" A questão interpela quem, por estes dias, passar pelo IPO do Porto. O desafio é feito através das respostas, que estão estampadas em quadros pintados à mão por crianças e jovens que estão a ser seguidos no serviço de pediatria.

O Evandro, de quatro anos, não está nos seus melhores dias por causa das dores. Sentado numa cadeira à sua medida, guarda um puzzle na caixa, enquanto não começa uma construção com blocos grandes e coloridos. Pelo meio, ele descreve a forma e as cores que as suas mãos escolheram para a palavra cancro.

"É azul e verde. Verde-escuro! Porque quando os meninos ficam internados é feio. Quando vão para casa ficam melhores".

A educadora Nazaré Martins guarda uma, das trinta e seis telas, da nova exposição, do IPO do Porto, que nasceu de uma curiosidade infantil. "Este desafio surge de uma pergunta que uma criança colocou ao antigo diretor deste serviço, numa escola. Ela quis saber de que cor é o cancro. E nós decidimos pegar nesta questão e devolvê-la ás crianças que estão aqui".

Para o Evandro foi um desafio fácil. Ele diz que não é um pintor qualquer, "sou o Picasso, porque adoro pintar!".

Noutro canto da sala, no piso do serviço de pediatria do IPO do Porto, a Deolinda está de regresso para mais uma fase de tratamento a um tumor no fémur, que lhe provocou a queda do cabelo. Tem 10 anos e atribui muitas cores ao cancro. "Verde, amarelo, cor-de-rosa e vermelho".

Com o seu desenho, Deolinda quer, agora, ser ela o apoio de outras crianças. "Desenho para dar força aos outros. Ao verem a minha tela gostava que sentissem alegria, amor e carinho".

Ter espaço e oportunidade para dizer o que sentem é importante para as crianças e jovens que passam por este serviço. Nazaré Martins, educadora de infância, enaltece o valor da partilha. "A criança acaba por não viver isto sozinha e fica a conhecer o que pensam outras crianças também. Para nós profissionais, também revela os que elas pensam".

Na zona de consultas, a sala de espera esvazia-se com o passar das horas. No gabinete, com muitos desenhos colados num quadro pendurado na parede, Ana Maia Ferreira fala no desafio "De que cor é o cancro?"... A diretora do serviço de pediatria do IPO do Porto, primeiro ficou curiosa, depois espantada com as respostas. "se perguntassem a adultos, as respostas seriam mais homogéneas. Cada um sente o cancro à sua maneira. Depende da capacidade que a pessoa tem para viver com este problema".

Com determinação, Luana Coelho, de dez anos, diz que vive à sua maneira. A consulta terminou e ainda houve tempo para ir ao internamento, que tão bem conhece. A leucemia foi detetada aos dezoito meses. Ela é eles, na tela.

"Fiz um desenho de uma árvore verde e castanha, um sol amarelo e um coração vermelho. Eles não podem desistir. Têm de ultrapassar o cancro. Eu também tive e foi uma dor muito grande. A pele ficou má, esfolada".

Para Luana, o quadro tem mais que se lhe diga e que se entenda. "Há crianças que gozam das meninas que têm cancro. A mim diziam-me que era gorda e que não servia para nada. Mas não é assim. Toas as crianças são iguais".

A mãe leva Luana para casa. Antes, Cátia Costa, diz que para ela, o cancro da filha foi sinónimo de preto. Só depois veio o verde da superação.

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