Deixar uma cratera não é solução. Moradores precisam da estrada que ruiu em Borba

Um ano depois da derrocada da estrada que ligava Borba a Vila Viçosa, arrastando cinco pessoas para a morte, a população alimenta a esperança de um dia voltar a circular na via que durante séculos aproximou as duas localidades. Garantem que o caminho real faz muita falta.

Com uma vida ligada às pedreiras, Manuel Alegria era dos que ia pé pela antiga Estrada Nacional 255. A mesma que há uns anos foi despromovida a Estrada Municipal, mas que continuou a ser a preferida da população entre Borba e Vila Viçosa.

"As pessoas iam para as pedreiras e para Vila Viçosa a pé. E agora, quem não tem carro, como é que vai?", questiona este morador do bairro popular 1.º de Maio.

Manuel Massas justifica que passou a ser preciso dar uma volta maior para se chegar à Estrada Nacional. "Temos de apanhar a variante que sai da autoestrada e que vai para Vila Viçosa, Alandroal e Bencatel, e isso é o dobro do caminho", resume. Já Ana Canhão lamenta o afastamento do mercado semanal calipolense: "Íamos sempre às quartas, agora nem pensar nisso", diz.

A autarquia ainda não sabe qual será o futuro da via, mas o presidente do município, António Anselmo, alerta que a imensa cratera aberta pelo aluimento da estrada não pode ficar assim, tendo mantido conversações com o Governo. "Há quem pense em construção, há quem pense num passadiço muito grande que permita a circulação de pessoas e bicicletas, mas está quase a passar um ano e aquilo não pode ficar ali para o resto da vida", resume.

Entretanto, a discussão sobre o futuro da via já inspirou o lançamento do livro "A Estrada Real - Memórias do Caminho entre Borba e Vila Viçosa", dando pistas rumo ao futuro, como explica o autor Tiago Passão Salgueiro, que contou com a colaboração das câmaras de Borba e Vila Viçosa.

A reabilitação da estrada é a hipótese mais acarinhada na obra de Tiago Passão Salgueiro, curador assistente da Fundação Casa de Bragança, que trabalha no Palácio Ducal, à entrada de Vila Viçosa, tendo testemunhado como o movimento na localidade baixou desde que a estrada ruiu.

O livro aborda ainda a importância histórica da estrada, que vai muito para lá da serventia às pedreiras, contando factos relevantes sobre a utilização deste caminho por reis e rainhas, integrando ainda um circuito apetecível para transações comerciais.

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