Demolições em Loures. Câmara diz que serviços sociais estão a acompanhar moradores

Autarquia levou a cabo um processo de demolição de 17 construções ilegais num bairro da localidade de Montemor, com o apoio da polícia.

A Câmara Municipal de Loures esclareceu que os moradores que viram esta segunda-feira as suas casas demolidas estão a ser acompanhados pela Segurança Social e alertou para a "proliferação de redes de negócio ilegal" com habitações precárias.

A autarquia, do distrito de Lisboa, levou a cabo esta manhã um processo de demolição de 17 construções ilegais num bairro da localidade de Montemor, com o apoio da polícia.

A Polícia de Segurança Pública (PSP) disse à Lusa que foi montado um policiamento no bairro pelas 09h30, com o envio de meios policiais para o local, "inicialmente os considerados necessários, mas devido a alguns tumultos que depois foram acontecendo foram enviados reforços".

Segundo referiu à Lusa a presidente da associação Habita, Maria João Costa "houve 17 casas que receberam na sexta-feira passada uma notificação para, em 24 horas, abandonarem o local."

Maria João Costa adiantou que entre os moradores das casas estão uma idosa, uma grávida e um cidadão em cadeira de rodas.

A versão da autarquia é também desmentida por Rita Silva, da mesma associação.

"O que queremos dizer à Câmara Municipal de Loures é que isto não é um problema urbanístico de construções ilegais, é um problema social. Antes de se desatar a demolir, que foi aquilo que aconteceu hoje. O edital foi colado na sexta-feira, as pessoas não tiveram tempo para se defender", explicou à TSF Rita Silva.

Mas, afinal, estamos a falar de barracas ou de casas? Rita Silva responde.

"São casas, com tijolos mas com telhado de zinco e que são relativamente recentes, foram construídas durante o período da pandemia. Não podemos esquecer que, durante a pandemia, estamos a testemunhar um aumento de construções abarracadas em muitos lugares da periferia de Lisboa. As pessoas não têm como viver, não têm acesso à habitação, os preços das casas não baixaram e muita gente perdeu a casa nos últimos meses e no último ano", acrescentou a responsável da Associação Habita!.

A mesma fonte explicou que este bairro de Montemor ocupa uma antiga fábrica em Loures que já há muitos anos está ocupada por cerca de 100 famílias, "com o conhecimento da Câmara".

Contudo, numa resposta enviada à Lusa, fonte oficial da Câmara Municipal de Loures assegurou que "estas construções se encontravam vazias no final da semana, estando até algumas ainda inacabadas".

"Esta ação insere-se no plano de monitorização e fiscalização de núcleos de construção ilegal, que tem como objetivo impedir o aumento deste tipo de construções no concelho de Loures e também a proliferação de redes de negócio ilegais que aliciam famílias em dificuldades para respostas habitacionais precárias nestes locais", alertou a autarquia.

Relativamente aos moradores que alegam residir nestas habitações a Câmara de Loures explicou que estão a ser acompanhados pelos serviços de ação social do município e da Segurança Social.

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