Desde o início de maio que não ficávamos tanto em casa

Mais de metade dos portugueses não saíram de casa no último domingo e foram raros os que fizeram viagens para longe.

Desde o início de maio, na primeira fase do desconfinamento depois do primeiro estado de emergência e da primeira vaga da pandemia, que não existiam tantos portugueses a ficar em casa e com poucas deslocações para longe do domicílio.

O progressivo regresso ao confinamento já era visível na última semana, com o aumento de casos de Covid-19 e os sucessivos alertas das autoridades de saúde, mas aumentou de forma "drástica" nos últimos sábado e domingo com a ordem do Governo para que os portugueses não atravessassem as fronteiras do concelho onde vivem.

A conclusão é da PSE, uma consultora de análise de dados que desenvolveu uma tecnologia para analisar a mobilidade e que a tem usado para perceber as mudanças nos comportamentos dos portugueses durante esta pandemia.

É normal que ao fim de semana as deslocações diminuam, mas no último essa queda foi muito mais significativa, explica Nuno Santos. O especialista em análise de dados da PSE detalha, à TSF, que desde o domingo de 10 de maio que não detetavam um confinamento tão alto.

No último domingo, 1 de novembro, 57% dos portugueses da amostra representativa acompanhada pela PSE não saíram de casa, mais 12 pontos percentuais que no domingo anterior, numa variação que foi semelhante quando em vez do domingo comparamos a mudança entre os últimos dois sábados.

O número de portugueses com "mobilidade baixa" também subiu de forma expressiva, tendo descido a pique, para menos de metade, os casos de "elevada mobilidade", ou seja, viagens para longe de casa: 40% para 16% no sábado e 31% para 11% no domingo.


Nuno Santos explica que no último fim de semana a mobilidade - que medem com base no GPS de uma amostra representativa da população - foi muito parecida com aquela que registaram no último fim de semana antes de Portugal entrar no primeiro estado de emergência, a 19 de março.

Não parece ser, no entanto, um regresso ao confinamento que existiu em março e abril.

Os primeiros números desta segunda-feira revelam que também neste início de semana há mais pessoas em casa, não foi uma "segunda-feira normal", mas continuam a ser menos que aquelas pessoas que não saiam de casa se fizermos a comparação com o que acontecia no primeiro estado de emergência.

Nuno Santos espera por dados mais definitivos até ao final desta semana, mas o que notam é uma tentativa da maioria dos portugueses de "equilibrarem ao máximo" a prevenção do contágio do coronavírus com o "levar uma vida normal".

Na prática, os números revelam que existiram, esta segunda-feira, "segmentos da população que ficaram confinados e outros que se deslocaram", nomeadamente para trabalhar.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

Recomendadas

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de