"Devíamos ter potenciado a resposta" à Covid-19. Plano da DGS preocupa administradores hospitalares

A Associação de Administradores Hospitalares considera "estranho" que o Governo não tenha apresentado as medidas antes de setembro.

A Direção-Geral da Saúde (DGS) tornou público o plano de intervenção para controlar a pandemia de Covid-19 durante o outono-inverno. O presidente Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) salienta a divulgação do plano, mas não se mostra convicto com as medidas.

Alexandre Lourenço considera que muitos dos aspetos anunciados, já deviam estar implementados. "Há muitas matérias que são relevantes, mas ainda não estão numa fase de implementação. Digo isto, por exemplo, quando se fala das áreas dedicadas à Covid. No final de setembro já devíamos saber quais são as unidades e como é que vão ser instaladas", aponta.

Alexandre Lourenço estranha ainda que a resposta aos atrasos no Serviço Nacional de Saúde continue sem um plano de resolução.

"Continuamos com um grande défice na prestação de cuidados. As necessidades e os tempos de espera continuam a agravar-se. Estamos a viver um incremento da Covid-19. Hoje faz sentido mantermos áreas não-Covid, mas devíamos ter potenciado estas respostas e não o fizemos.

O presidente da APAH considera "estranho" que o Governo fale apenas em setembro nestas medidas, como a implementação de uma "task-force" para dar resposta aos utentes não-Covid.

O representante dos administradores hospitalares lembra ainda que as autoridades de saúde ainda não têm um plano de intervenção para os lares. "Estamos no final de setembro, e este plano ainda não existe? É no final de setembro que fez sentido falar na necessidade destes planos?", questiona.

Alexandre Lourenço garante que os hospitais têm capacidade para dar respostas "mais rápidas" quanto à Covid-19 e à gripe. "A capacidade laboratorial dos hospitais está a ser aumentada", recorda.

Dados divulgados pela APAH em maio apontavam que mais de 1500 camas dos hospitais públicos estavam ocupadas, em 18 de fevereiro, por pessoas que já tiveram alta, mas que se mantinham internadas por falta de resposta extra-hospitalar, correspondendo a 8,7% dos internamentos.

A estratégia apresentada pela DGS assenta em três domínios estratégicos: "Resposta ao risco sazonal, incluindo covid-19", "Manutenção da resposta não-covid-19" e "Literacia e Comunicação" e será implementada "em cascata", através da "intervenção estruturada e articulada" a nível regional (Administrações Regionais de Saúde) e local (Agrupamentos de Centros de Saúde, Unidades Locais de Saúde).

O documento pretende "mobilizar todos os agentes do setor da saúde e o país para o período exigente que se avizinha e que requer uma resposta conjunta e participada" e como tal "será alvo de revisão e atualização bimestral".

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