Dia da Mulher assinalado com manifestações e greve feminista

Rede 8 de Março convocou uma greve feminista nacional nas cidades de Amarante, Aveiro, Braga, Coimbra, Évora, Faro, Lisboa, Porto, Viseu e Vila Real e Ponta Delgada.

O Dia Internacional da Mulher foi assinalado este domingo em todo o mundo e em Portugal ficou marcado com protestos em várias cidades, reivindicando medidas contra a desigualdade e violência de género. A Rede 8 de Março convocou uma greve feminista nacional para o Dia Internacional da Mulher nas cidades de Amarante, Aveiro, Braga, Coimbra, Évora, Faro, Lisboa, Porto, Viseu e Vila Real e Ponta Delgada.

Segundo a organização, a greve feminista é uma forma de protesto e revolta contra situações precárias e de violência, e transcende o significado tradicional da greve ao trabalho para estendê-lo "à esfera da reprodução social, do cuidado doméstico e familiar, bem como à vida estudantil e à sociedade de consumo".

A Rede 8 de Março reúne coletivos, associações, organizações políticas, sindicatos e pessoas a nível individual e este foi o segundo ano em que convoca uma greve feminista. No ano passado, de acordo com a organização, participaram na manifestação 30 mil pessoas.

Em Lisboa, a greve feminista decorreu no Largo de Camões e contou com as presenças da coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, e da líder parlamentar do PAN, Inês de Sousa Real. Houve também em Lisboa uma manifestação organizada pelo Movimento Democrático de Mulheres, sob o lema "A Força da Unidade em defesa dos direitos das mulheres e pela paz no mundo", entre os Restauradores e a Ribeira das Naus.

Nesta iniciativa esteve presente uma delegação da CGTP-IN, conduzida pela secretária-geral, Isabel Camarinha, e uma delegação do PCP, com o secretário-geral, Jerónimo de Sousa. No Pavilhão do Conhecimento houve uma iniciativa intitulada "Construtoras de Futuros" para celebrar o contributo das mulheres na ciência e inspirar as gerações mais novas para percursos académicos e profissionais nestas áreas, com as presenças da ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, e do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.

A Guarda Nacional Republicana (GNR) teve uma cerimónia alusiva ao Dia Internacional da Mulher, homenageando as militares sob o tema "Eu sou a Geração Igualdade: concretizar os direitos da mulher". Esta cerimónia foi presidida pelo ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, enquanto a secretária de Estado da Administração Interna, Patrícia Gaspar, dirigiu a cerimónia de inauguração da exposição fotográfica "Valentes", no Quartel do Carmo, em Lisboa.

Apesar de ser comemorado desde 1909, o Dia Internacional da Mulher só foi proclamado oficialmente pelas Nações Unidas em 1975. E apenas em 1979 foi aprovada a Convenção para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as mulheres.

Igreja celebrou contra lei do aborto na Argentina com uma enorme missa

A Igreja Católica argentina celebrou neste domingo uma missa "a favor da vida" para mobilizar os seus fiéis contra um projeto de descriminalização do aborto que o governo de Alberto Fernández enviará em breve ao Congresso.

Convocada para o Dia Internacional da Mulher, a missa reuniu uma multidão em frente à Basílica de Luján, 75 quilómetros a oeste de Buenos Aires, epicentro das celebrações católicas no país natal do Papa Francisco.

"Milhões de argentinos e argentinas, crentes e não crentes, têm a profunda convicção de que existe vida desde a concepção. É injusto e doloroso chamá-los de antidireitos ou de hipócritas", disse Monsenhor Oscar Ojea, presidente do Episcopado da Argentina, na sua homilia.

O religioso aludiu ao discurso de Fernández ao anunciar o envio do projeto à Assembleia Legislativa a 1 de março, que considerava hipócrita negar que "o aborto acontece".

Na Argentina, o aborto é permitido apenas em casos de violação ou quando a vida da mulher está em risco, conforme estabelecido no Código Penal desde 1921.

Fora dessas situações, o aborto é punível com sentenças de um a quatro anos de prisão.

Mulheres de todo o mundo pedem igualdade apesar do medo do coronavírus

Enormes multidões foram às ruas em todo o mundo este domingo para comemorar o Dia Internacional da Mulher apesar do medo pela epidemia do coronavírus. Num dia em que houve alguns confrontos violentos e prisões de manifestantes em vários países, as mulheres marcharam em locais distantes entre si, como a Tailândia, Indonésia, Filipinas, Quirguistão, Paquistão, Austrália, França e Chile. Em muitos destes sítios, as marchas foram canceladas por questões de saúde.

No Paquistão, mil mulheres desafiaram a sociedade ultrapatriarcal a manifestar-se pelos seus direitos, por vezes debaixo de pedras e gravetos atirados por oponentes. Ao mesmo tempo, outra marcha reuniu mulheres com véu que proclamavam a sua "liberdade de viver de acordo com a Sharia".

Em Manila, centenas de mulheres e homens participaram num protesto que queimou uma efígie gigante do presidente Rodrigo Duterte, a quem acusam de misoginia.

"A violência e a pobreza entre as mulheres estão a piorar. Embora tenhamos 37 leis relacionadas aos direitos das mulheres, o que está a acontecer no terreno é uma violência generalizada nas formas de abuso doméstico, assédio sexual e violação", disse à AFP Joms Salvador, participante da marcha.

No Quirguistão, a polícia prendeu dezenas de mulheres que se manifestavam contra a violência de género, depois de serem atacadas por homens mascarados. A polícia disse à AFP que os manifestantes foram presos para sua própria segurança e por não avisarem sobre a manifestação, pois um tribunal proibiu aglomerações devido ao coronavírus. As mulheres foram libertadas posteriormente e três dos seus agressores foram presos.

Na China, epicentro da epidemia que matou mais de 3.500 pessoas e infectou mais de 100 mil em todo o mundo, a rede estatal de televisão CCTV destacou o trabalho dos médicos da linha de frente na luta contra o vírus.

Na Coreia do Sul, país com o maior número de casos depois da China, vários eventos também foram cancelados, devido à epidemia.

"Embora não possamos estar fisicamente juntas, a nossa determinação em obter igualdade entre homens e mulheres é mais forte do que nunca", disse a ministra da Igualdade, Lee Jung-Ok, num vídeo.

Em Jacarta, cerca de 600 pessoas pediram ao governo que revogasse leis consideradas discriminatórias e adotasse leis contra a violência sexual. Em Banguecoque, os manifestantes pediram uma melhor proteção no local de trabalho para combater a epidemia. Por medo do vírus, o número de pessoas nas ruas foi menor do que no ano passado.

As manifestações também foram menores que o habitual na Europa, muito afetada pelo coronavírus. Ao ritmo de tambores e com máscaras cirúrgicas contra o "patriarcavírus", manifestações enormes percorreram as ruas espanholas.

"O machismo mata mais que o coronavírus", dizia um dos cartazes em Madrid, onde 120 mil pessoas se reuniram em protesto.

Em Paris, ativistas do grupo Femen, com os seios à mostra, luvas e máscaras de proteção, reuniram-se na Place de la Concorde para denunciar "a pandemia patriarcal". As manifestantes entoaram gritos como: "Quem está a lavar os pratos?" e "Estamos a fazer uma revolução".

Grupos de direitos humanos e partidos políticos denunciaram a violência policial durante outra marcha na noite de sábado em Paris, na qual os confrontos terminaram com a prisão de nove pessoas. Em Itália, um dos países mais atingidos pelo surto virolento e onde foram tomadas medidas rigorosas de isolamento, o presidente Sergio Mattarella divulgou uma mensagem alusiva em vídeo para expressar seu agradecimento "às mulheres, e há muitas que trabalham em hospitais e nas zonas [de quarentena] para combater a propagação do vírus".

Também houve manifestações no Iraque e no Líbano. Em Santiago, no Chile, milhares de mulheres reuniram-se numa manifestação exigindo o fim da violência de género e protestando contra o o governo de Sebastián Piñera.

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