Dia do Síndrome de Asperger. "Se houvesse vontade política, podiam ser cidadãos fantásticos"

Falta informação, formação e recursos financeiros. No Dia Internacional do Síndrome de Asperger o alerta: "Estas pessoas poderiam ser cidadãos fantásticos, que não precisam de viver de subsídios".

Em Portugal, há cerca de 40 mil pessoas com Síndrome de Asperger. Piedade Monteiro, presidente da Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger, diz que o apoio estatal melhorou, mas ainda há muito a fazer.

"Na escola, não há os apoios que devia haver, por falta de recursos humanos. Há falta de formação dos professores nesta área, o que impede um fluir de formação e de acompanhamento destas crianças e jovens", lembra Piedade Monteiro.

"Por outro lado, a nível financeiro, há uma grande precariedade, porque os apoios que as famílias têm que dar são caros. Uma criança ou jovem com esta perturbação não pode ter um acompanhamento de treino de competência funcional e social ou de terapia da fala ou de psicologia uma vez por semana ou de quinze em quinze dias... Tem que ser um acompanhamento constante, e isso não acontece no serviço público de saúde", alerta.

A Presidente da Associação Portuguesa de Síndrome de Asperger não tem dúvidas de que o Estado só teria a ganhar se cumprisse a lei e prestasse o devido acompanhamento a quem sofre desta doença.

"Se houvesse vontade política de pôr em ação os meios que existem e o que a lei diz, não só a nível de segurança social, como a nível de saúde e educação. A minha grande pena é que o Serviço Nacional de Saúde não cubra devidamente estes assuntos, que na verdade só trariam benefícios para a sociedade", sublinha. "Os nossos filhos, sendo bem acompanhados e formados, conseguem ser cidadãos fantásticos, que não têm que viver do subsídio do Estado um dia mais tarde."

Greta Thunberg sofre desta perturbação neuro-comportamental e a ativista diz tratar-se de um superpoder. Para Piedade Monteiro, a jovem sueca não mudou em nada a forma como a maioria das pessoas olha para quem sofre do Síndrome de Asperger, porque a sua forma de falar não foi devidamente protegida.

"O comportamento dela não foi entendido como o de uma pessoa com esta disfunção e com estas características. Foi muito relevada a forma agressiva como falou e até despropositada na forma como se dirigiu às várias entidades onde falou e onde esteve. Não foi muito acompanhada. Mas foi o que ela é: uma rapariga com Síndrome de Asperger, determinada e que não foi encaminhada nem protegida de forma a não fazer vacilar as pessoas", repara Piedade Monteiro. "Será que isto é Síndrome de Asperger? Será que é arrogância? De facto, a Síndrome de Asperger tem estas características, mas isto poderia ter sido cuidado de outra forma."

Para assinalar o Dia Internacional do Síndrome de Asperger, a associação vai estar de portas abertas durante todo o dia, para receber aqueles que quiserem visitar o espaço e conversar com todos os que ali passam diariamente.

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