"Dificuldades respiratórias num sem-abrigo? Como despistar Covid-19?" Equipas de rua estão no limite

A Médicos do Mundo Portugal alerta que a estrutura de apoio corre o risco de ruir. Esta ONG presta cuidados de saúde primários às populações mais vulneráveis, como as pessoas sem-abrigo.

Apesar do Covid-19, a Médicos do Mundo continua com todas as equipas no terreno, mas se antes da pandemia já trabalhavam no limite, agora a situação é ainda mais grave.

A Médicos do Mundo diz que não existem dados sobre rastreio de Covid-19 à população sem-abrigo.

Foram obrigados a reduzir o tempo de serviço, andam nas ruas sem a devida proteção individual, mas não desistem. Raquel Rebelo,

Coordenadora da Representação Norte da Médicos do Mundo, diz que é muito difícil identificar casos suspeitos de Covid-19 entre os sem-abrigo.
"Temperatura, sim, medimos a temperatura mas depois o que é que diz ter tosse num sem-abrigo... o que é que diz ter dificuldades respiratórias num sem-abrigo? E é este trabalho que às segundas, quartas e sextas tentamos ir monitorizando para que assim que se identifique um caso suspeito seja seguido o trâmite. Não tenho noção, por exemplo, de quantos testes foram feitos a esta população".

A equipa de rua trabalha no limite, é formada por um enfermeiro, um técnico social e um educador de pares...se alguém adoecer são obrigados a parar. Neste momento, os problemas vão além do apoio de primeira linha e afetam a retaguarda.

"A Segurança social não faz atendimentos presenciais; equipas de tratamento têm horário confiando... toda a estrutura de suporte ao trabalho que se faz na rua está condicionada. O que é mais comum encontrar é: a pessoa não tem documentos, primeiro vamos ter que tratar do cartão de cidadão, mas nesta altura como fazemos isso? Inscrição no Centro de Saúde, se não tiver ou mesmo tendo arranjar uma consulta, para que seja feito o encaminhamento de um P1 para a especialidade".

A Coordenadora da Representação Norte da Médicos do Mundo explica que este é um grupo de risco.

"Como a população tende a ser mais envelhecida temos os outros problemas como tensão arterial, diabetes, doenças cardíacas que são típicas da população desta faixa etária. Estamos a ter pessoas na rua com uma faixa etária superior".

Raquel Rebelo defende que o caminho passa por ir ao encontro dos sem-abrigo para fazer o rastreio ao Covid-19.

O núcleo do Porto da Médicos do Mundo presta cuidados de saúde a cerca de 800 pessoas por mês. Para se protegerem as equipas de rua só conseguem trocar de equipamento de proteção de local para local e não de utente para utente como deveria acontecer.

A Médicos do Mundo apela a que lhes façam doações de material de proteção para poderem continuar a trabalhar, com uma equipa de rua formada por três elementos, se algum ficar doente o apoio é obrigado a parar. Quem quiser ajudar pode enviar um e-mail para doadores@medicosdomundo.pt

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