Diminuir risco de inundações? Antigo bastonário dos engenheiros defende medidas para metros e túneis

Carlos Matias Ramos alerta que os dois túneis de drenagem prometidos por Carlos Moedas, que vão começar a ser construídos no próximo ano, por si só, não chegam.

O antigo bastonário da Ordem dos Engenheiros Carlos Matias Ramos considera que nenhuma estrutura conseguiria escoar a quantidade de água que caiu na madrugada de quarta-feira, em Lisboa. Ainda assim, acredita que teria sido possível minimizar o risco.

Carlos Matias Ramos, que foi também presidente do Laboratório Nacional de Engenharia Civil, dá exemplos de medidas que podem ser adotadas para os túneis junto ao Campo Pequeno, que ficaram inundados, e para as estações de metro.

"As entradas para o metro têm que ter a entrada bastante acima da cota das ruas, porque há o risco de inundação do metro por galgamento. Isto é um cuidado que é simples, barato e que reduz o risco de entrada de água nas infraestruturas do metropolitano", explica à TSF Carlos Matias Ramos.

"Quanto ao Campo Pequeno, um sistema daqueles tem que ter um sistema de bombagem que deve estar preparado para bombear as águas quando os caudais afluentes forem superiores a um determinado valor. Pode ser também baseado num sistema em que o nível da água sobe nessas infraestruturas e há um sistema de alarme que automaticamente aciona o impedimento de acesso de viaturas a essas passagens inferiores", sustenta.

Questionado sobre os dois túneis de drenagem que vão começar a ser construídos, o antigo bastonário dos engenheiros alerta que a medida por si só não chega.

"Há vários projetos em que todas as zonas urbanizadas têm pavimentos permeáveis que garantem a entrada de alguma da água das chuvas no solo, porque se eu tiver uma zona impermeável, a água cai e escorre logo. Se eu tiver uma zona com alguma capacidade de filtração, por um lado, infiltra água no solo, por outro lado, reduz a velocidade com que essa água vai afluir a determinadas zonas críticas", afirma, sublinhando que, "na prática, não há aplicações de soluções que tenham esse propósito".

O presidente da Câmara de Lisboa prometeu a construção de dois túneis de drenagem até 2025.

"(...) Nós consignámos a obra. Vai começar em março. Vamos começar a escavar este túnel que vai estar a 70 metros de profundidade e que levará todas as águas da bacia até Santa Apolónia. Vamos evitar estas cheias de uma vez por todas", salientou.

"É uma obra que vem de trás, mas agora sim vamos começá-la. Temos cá as máquinas, temos tudo o que é necessário. Vamos arrancar já", acrescentou, revelando que será construído "um que vai de Campolide até Santa Apolónia e outro que vai de Chelas ao Beato".

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