"Os adultos estão a subestimar a força das crianças zangadas"

A ativista de 16 anos falou à chegada a Lisboa, onde vai ficar até sexta-feira. Greta Thunberg celebrizou-se em todo o mundo por ter iniciado o movimento das greves pelo clima, em protesto contra a falta de ação dos políticos.

Na chegada a Lisboa, Greta Thunberg agradeceu a forma como foi recebida, mas, apesar de ter dito sentir-se grata, aproveitou para responder às críticas dos adultos que a apelidam de uma "criança zangada". Na perspetiva da ativista de 16 anos, "os adultos estão a subestimar a força das crianças zangadas".

Greta Thunberg disse mesmo que as crianças estão "zangadas e frustradas" e que, se os adultos querem evitar a fúria destas, devem fazer algo para o mudar. A jovem sueca respondeu ainda às críticas feitas por Bolsonaro a Leonardo Dicaprio, símbolo, na perspetiva da adolescente, do desconforto que os ativistas que lutam pelo clima estão a provocar, "prova de que se está a ter impacto e de que se está a trazer a mudança".

"Muitas pessoas não querem a mudança e fazem de tudo para a evitar. Nós faremos com que eles tenham de mudar", disse, numa referência aos líderes mundiais que prometeu continuar a pressionar já na Cimeira do Clima, em Madrid. Na COP25, Greta Thunberg instará os líderes a "entender a ciência", para que também "cooperem internacionalmente".

A jovem sueca garantiu que ficará mais uns dias em Lisboa, mas que estará na cidade madrilena já na sexta-feira. Depois disso, resta rumar a casa para celebrar o natal, contou, em declarações aos jornalistas. Em nome de todos os ativistas, Greta Thunberg frisou: "Não iremos parar de fazer tudo o que pudermos." Nessa missão com que a sueca se compromete, "continuar a viajar e fazer pressão junto dos parlamentos para que priorize esta luta" faz parte dos planos.

Greta Thunberg acrescentou que é necessário ter uma "visão holística" desta "emergência global", para que se possa estar "do lado certo da História". "Para fazermos tudo certo precisamos de todos", declarou. A menor salientou também que as vozes das novas gerações serão ouvidas.

Questionada sobre os aspetos da sua viagem até aportar em Lisboa, Greta Thunberg não teve dúvidas: "Esta viagem tem sido maravilhosa." Um tempo para relaxar e refletir foi o que bastou para que a ativista se sentisse "bem, com energia e vontade de continuar a lutar".

A adolescente sueca de 16 anos garantiu que o seu plano é exigir aos políticos que ouçam a ciência, já que as crianças não são especialistas. "Não devia caber-nos a nós assegurar as condições futuras."

Apesar de ter sofrido de enjoos no primeiro dia da viagem atlântica, diz-se uma sortuda que usufruiu de uma viagem sem tecnologia ou distrações. No entanto, Greta Thunberg sublinhou que não quer impor esta opção a quem não possa viajar assim. "Eu não estou a viajar desta forma porque quero que todos o façam, mas para transmitir uma mensagem de que a sustentabilidade é possível. Há alternativas possíveis, eu não estou a dizer a ninguém o que fazer."

Sobre os casos portugueses do aeroporto do Montijo e a meta da neutralidade carbónica até 2050, Greta Thunberg não se quis pronunciar sem ter mais dados. Ainda assim, foi perentória: "Nenhum país no mundo está a fazer o suficiente."

A jovem ativista Greta Thunberg desembarcou ao início desta tarde na Doca de Santo Amaro, em Lisboa, após atravessar o Atlântico em catamarã, mas já não segue esta terça-feira para Madrid para participar na cimeira do clima da ONU. A ativista sueca resolveu permanecer em Lisboa por mais dois dias.

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Greta Thunberg vai depois discursar perante a imprensa e pelas centenas de pessoas que a esperam, assim como Riley Whitelum, o comandante do "La Vagabonde", barco no qual fez a travessia de Hampton, no estado norte-americano da Virgínia, para Portugal, e Nikki Henderson, membro da tripulação e marinheira profissional.

A ativista sueca de 16 anos foi recebida pelo presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, e por jovens ativistas portugueses, assim como por deputados do Bloco de Esquerda e do Partido Ecologista "Os Verdes".

Greta Thunberg celebrizou-se em todo o mundo por ter iniciado no seu país as greves pelo clima, em protesto contra a falta de medidas políticas para fazer face às alterações climáticas.

A jovem sueca embarcou a 13 de novembro, de regresso à Europa, no "La Vagabonde", o barco de um casal australiano que deve chegar pelas 8h00 desta manhã a Lisboa. Greta deve partir de comboio para Madrid ainda esta terça-feira para Madrid, para participar na COP25, a cimeira do clima que junta representantes de quase 200 países.

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Já em setembro, a jovem tinha atravessado o oceano de barco para participar numa cimeira sobre alterações climáticas em Nova Iorque, convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres. A jovem recusou viajar num avião, que polui, e optou por um barco à vela.

Notícia atualizada às 13h59

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