Diretor clínico do Serviço de Saúde da Madeira renunciou ao cargo

A escolha de Mário Pereira, que tinha tomado posse a 7 de janeiro, tinha sido muito contestada.

O médico ortopedista nomeado diretor clínico do Serviço Regional de Saúde da Madeira (Sesaram), Mário Pereira, que tem sido contestado por um grupo de diretores de serviço, renunciou esta quinta-feira ao cargo, disse fonte governamental.

"Sim, ele renunciou", afirmou a mesma fonte, confirmando a notícia avançada pela RTP-Madeira e escusando-se a adiantar mais pormenores sobre o assunto.

A mesma fonte mencionou que o CDS-PP/Madeira, partido da coligação do Governo Regional da Madeira, "deverá emitir um comunicado".

A nomeação de Mário Pereira, ex-deputado do CDS na Assembleia Legislativa da Madeira e, enquanto parlamentar, um dos maiores críticos do serviço de saúde da região, para o cargo de diretor clínico do Sesaram gerou desde o início uma onda de polémica por parte da maioria dos diretores clínicos.

Mário Pereira tomou posse em 07 de fevereiro e foi contestado pelos seus pares, que mantiveram várias reuniões na sede da Ordem dos Médicos da Madeira, tendo a maioria optado por demitir-se das direções de serviço, exigindo a demissão do diretor clínico nomeado.

Um dia antes, 33 diretores de serviço e coordenadores de unidades do Sesaram anunciaram a sua demissão, representando 66% destes profissionais, de um total de cerca de 50.

O porta-voz deste grupo, o cardiologista António Drumond, salientou numa declaração que o diretor clínico é um "cargo técnico e os cargos técnicos são para pessoas técnicas entre os médicos e coordenadores de unidades".

O grupo dos médicos contestatários consideraram estar perante uma forma de partidarização da área clínica da saúde, lembrando que a legislação que regula o Sesaram estabelece que o diretor clínico é nomeado pelo secretário regional da Saúde, sob proposta do Conselho de Administração da instituição de entre os médicos que trabalham nesta entidade, reconhecido pelo seu mérito e experiência profissional.

Embora o secretário regional da Saúde, Pedro Ramos, e o diretor clínico empossado tivessem apostado no "diálogo" e na "pacificação do setor", a polémica continuou, tendo o executivo regional, liderado pelo social-democrata Miguel Albuquerque, declarado que "não aceitava as demissões" dos diretores de serviço.

A Ordem dos Médicos emitiu entretanto um comunicado salientando que "um diretor clínico que não seja reconhecido interpares e não consiga estabelecer empatia com as equipas de saúde e, nomeadamente, com os médicos, está condenado ao insucesso a muito curto prazo".

Também considerou que a perda de massa crítica essencial em termos de liderança "coloca o hospital Dr. Nélio Mendonça [Funchal] numa situação muito delicada e sem as condições adequadas para continuar a assegurar a formação dos médicos internos".

Em 17 de fevereiro, um grupo de 45 médicos do Sesaram chegou mesmo a "exigir a demissão imediata" do diretor clínico.

Quatro dias depois, o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, deslocou-se à Madeira e reuniu com os médicos e os responsáveis do Governo Regional, tendo apelado aos diretores de serviço demissionários que retrocedessem na decisão.

Miguel Guimarães também desafiou a tutela a fazer uma consulta interna para a nomeação do diretor clínico.

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