Bastonário dos Médicos e diretores de maternidades denunciam "situação caótica"

São 13 os diretores dos serviço de obstetrícia que pretendem dar conta ao Governo do "caos" na obstetrícia.

A falta de especialistas está a pressionar os serviços de obstetrícia e ginecologia no norte do país e em Lisboa. Ao todo, são 13 os diretores que revelaram a intenção de enviar uma carta ao Governo e à Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN) para alertar que "não será possível garantir as urgências nos meses de julho, agosto e setembro".

A escassez de recursos humanos provocou a insatisfação do intitulado "Grupo de Reflexão da Saúde da Mulher do Norte", do qual fazem parte os responsáveis clínicos, que promete remeter uma carta à ministra da Saúde e à ARSN para reclamar sobre a distribuição de vagas. A notícia é avançada pelo Jornal de Notícia s, e foi já comentada pela Administração Regional da Saúde do Norte.

A ARSN reconhece a falta de médicos, mas desmente "categoricamente" que haja uma situação de "caos" nas maternidades de vários hospitais. A mensagem da instituição é ainda de que não há risco de encerramento das urgências das maternidades nos hospitais do norte do país.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, considera, no entanto, que a situação nas urgências externas das maternidades, decorrente da falta de especialistas em Ginecologia e Obstetrícia, "ultrapassa os limites do aceitável".

"O que está a acontecer ultrapassa os limites do aceitável e só contribui para um sentimento de insegurança indesejável. É necessário existir um planeamento adequado das necessidades dos serviços, ter uma organização modelar e encontrar verdadeiras soluções para os problemas e não apenas insistir na improvisação em cima do joelho", frisa Miguel Guimarães, num comunicado sobre as dificuldades em 13 maternidades do Norte do país, que se somam às já divulgadas quanto à região de Lisboa e do Sul.

No caso do Norte, sublinha o bastonário, a Ordem dos Médicos "já tinha alertado que as apenas cinco vagas para especialistas em Ginecologia/ Obstetrícia impostas pelo Ministério da Saúde para a região (em 45 vagas abertas este ano a nível nacional) eram manifestamente insuficientes para uma população de 3,7 milhões de pessoas, mas nada foi feito para corrigir a situação".

De acordo com Miguel Guimarães, o Ministério da Saúde "tem sido sucessivamente alertado para os problemas pelos profissionais e pela própria Ordem dos Médicos, mas os seus responsáveis, "mesmo perante as evidências, preferem negar a realidade".

Desta vez, sublinhou, a ministra recebe uma carta de 13 diretores de serviço de hospitais do Norte do país que avisam que as urgências externas das maternidades estão comprometidas já a partir de julho. "Estarão todos errados como faz crer a tutela?", questiona o bastonário, que pediu a marcação de uma reunião com os diretores de serviço de Ginecologia/ Obstetrícia e Neonatologia das regiões Norte e Centro do país para 1 de julho, nas instalações do Porto da Ordem dos Médicos.

O bastonário manifesta, assim, o seu "total apoio e solidariedade para com os diretores de serviço e todos os médicos que diariamente dão o seu melhor ao serviço da causa pública" e assinala que "as más políticas de saúde, condicionadas pelas finanças, estão a ter um efeito devastador na capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS)".

Na sequência de problemas semelhantes em Beja, Portimão e Lisboa, a Ordem dos Médicos avançou que tem inscritos 1.400 especialistas em Ginecologia e Obstetrícia com menos de 70 anos, sendo que só 850 trabalham no SNS, dois terços têm 50 anos ou mais e metade 55 anos ou mais.

"Seriam necessários pelo menos mais 150 especialistas para equilibrar a capacidade de resposta", na avaliação da estrutura dirigida por Miguel Guimarães.

O JN tinha adiantado que alguns hospitais já estariam a funcionar em regime de contingência, e que, caso os hospitais continuassem impedidos de contratar, as urgências poderiam ter de encerrar durante o verão.

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de

Outros Artigos Recomendados