Distribuição de correio em Boticas corre "pessimamente mal"

População queixa-se de atrasos na receção da correspondência e de que alguma é colocada nas caixas erradas.

Em vários concelhos do país há queixas das populações e autarquias contra o serviço prestado pelos CTT-Correios de Portugal. Uma das manifestações de indignação chega da Câmara Municipal de Boticas, no distrito de Vila Real, cansada dos atrasos na entrega da correspondência e das reclamações de quem lá vive.

Cândido Alves, 73 anos de idade, é apenas um dos munícipes que anda descontente com o serviço, que regista atrasos constantes. "A reforma costumava chegar ao dia 3 ou 4 e já a recebi ao dia 12 ou 15. Vem atrasada e já me fez, até, muita diferença", critica.

Cândido tem problemas de mobilidade e passa muito tempo na varanda na casa que habita, na aldeia de Pinho, concelho de Boticas. Na mesa que ali tem estão três cartas. Pega nelas e diz: "Chegaram há pouco. Ainda nem as abri".

Uma delas é a conta da eletricidade. Já houve meses em que chegou atrasada, com o prazo de pagamento ultrapassado. Esperou pelo mês seguinte e pagou as duas. "Por acaso não tive problemas, mas se me continuasse a atrasar e sem pagar teria multa ou cortariam a luz".

Maria Teresa Martins, 77 anos, também tem com críticas aos atrasos, sem perceber "se o problema é da estação dos CTT ou da carteira que anda aí". O que não é raro é aparecer a correspondência de uns nas caixas de correio de outros. "Não as metem no sítio certo e às vezes perdem-se", confirma Maria Teresa, enquanto Cândido dá um exemplo concreto: "Hoje tinha na minha uma carta da vizinha, mas já aconteceu ter cartas de pessoas que vivem no fundo do povo".

Farto de ouvir queixas das pessoas, o presidente da Câmara Municipal de Boticas, Fernando Queiroga, reclamou do serviço à administração dos CTT. Disse-lhe que "a entrega do correio está a correr pessimamente mal", já que "está a haver um descuido muito grande". Deu o exemplo da autarquia, que "numa semana inteira só recebeu uma carta registada".

Em 2020, a Câmara fez um protocolo com os Correios de Portugal e passou a entregar o correio em metade do concelho. O serviço melhorou, mas na parte assegurada pela empresa foi sol de pouca dura, o que gerou no autarca um sentimento de "revolta e indignação". "A empresa CTT não pode apenas visar o lucro, tem de prestar um serviço público de qualidade", frisa.

De uma reunião entre as partes, realizada há dias, saiu o compromisso de que "a situação não se voltaria a repetir", salienta Queiroga. O autarca acrescenta que "a Câmara vai ter um canal direto com os CTT para corrigir falhas que possam acontecer". Diz ainda que "acredita na boa vontade da empresa", mas promete não se calar se continuarem os problemas na distribuição.

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