"Dizem que está tudo bem, mas não é bem assim." Médicos pedem rapidez ao Governo

No Fórum TSF, Miguel Guimarães diz que é necessário alterar a comunicação para a comunidade e implementar medidas mais objetivas.

O bastonário da Ordem dos Médicos diz que as explicações do Governo e da Direção-Geral da Saúde (DGS) não o convencem. Miguel Guimarães confessa que as medidas implementadas pelo Executivo de António Costa para a região de Lisboa e Vale do Tejo já deviam ter sido anunciadas há mais tempo.

Em declarações ao Fórum TSF, o bastonário lembra que "a questão de Lisboa e Vale do Tejo não é de hoje ou de ontem. Isto já dura há algum tempo. As medidas que foram tomadas pelo Governo, e bem, já deviam ter sido tomadas há mais tempo. Para além disso, temos de identificar os casos, isolar os contactos."

Miguel Guimarães refere que Portugal ainda não adotou medidas suficientes para prevenir as infeções nos aeroportos, com a chegada de emigrantes ou turistas.

"O que eu tenho assistido é que está tudo bem. Nós somos o melhor país da Europa, e isto é um milagre português. Mas as coisas não são exatamente assim. Definitivamente, temos de nos preocupar em resolver as situações", aponta.

Questionado por Manuel Acácio, o bastonário da Ordem dos Médicos explica que é preciso haver uma maior coordenação entre as diferentes autoridades. "É necessário mudar a comunicação, ter medidas mais objetivas, é necessário haver uma grande coordenação entre as autoridades de saúde e as autoridades locais. Mas, principalmente, é necessário ouvir os profissionais de saúde. Os profissionais de saúde no terreno são os que melhor sabem o que está a acontecer. São as pessoas que todos os dias contactam com os doentes, são os que percebem como está a evoluir o surto epidémico. Portanto, estas pessoas têm de ser ouvidas."

O presidente da Associação dos Administradores hospitalares denuncia, igualmente, que continua a faltar uma coordenação nacional de combate à pandemia. Alexandre Lourenço sustenta que é preciso um sistema organizado que dê conta dos doentes Covid, mas também dos que não sofrem com o novo coronavírus.

"Todas as estruturas têm de saber qual é o seu papel na resposta à pandemia. Principalmente, qual é a posição da rede Covid: quantas são as camas, quais são os profissionais, mas também saber quais são os hospitais e as estruturas que podem dar resposta para além dos doentes Covid. Não podemos achar que tudo está bem, quando temos hospitais praticamente encerrados para outros cuidados de saúde", indica.

Alexandre Lourenço refere ainda que a situação pode complicar-se quando chegar a altura da gripe. "Há zonas do país que podem enfrentar problemas como os que verificamos hoje em Lisboa e Vale do Tejo. Sabemos que isto pode acontecer em qualquer altura do ano. Mas, por outro lado, sabemos que a partir do mês de outubro vamos assistir também ao surgimento de todas as infeções respiratórias, incluindo a gripe sazonal."

O presidente da Associação dos Administradores Hospitalares defende que, por isso, "é preciso estar preparado, prevenir", e criar um mecanismo para mitigar os efeitos de um vírus ainda desconhecido.

ARS de Lisboa e Vale do Tejo confiante na recuperação

A vice-presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo está segura de que as medidas anunciadas por António Costa vão permitir reverter a situação na região. Ao Fórum TSF, Laura Silveira destaca o maior envolvimento das forças de segurança e das Câmaras Municipais para desenvolver mecanismos que permitem detetar, mais rapidamente, os focos de infeção.

Laura Silveira garante que já houve um reforço das equipas que estão a trabalhar no combate à pandemia. "As equipas estão reforçadas com médicos, enfermeiros e restantes profissionais. O objetivo é garantir que existem funcionários suficientes para fazer os inquéritos epidemiológicos rapidamente. Essas equipas já estão no terreno, mas vamos continuar a identificar pessoas para reforçar e fazer a formação necessária para a realização dos inquéritos. Esse trabalho está em curso, mas uma parte significativa desses elementos já estão a colaborar com as unidades de saúde pública."

A vice-presidente da Administração regional de saúde de Lisboa e Vale do Tejo confirma ainda que os testes aos doentes com suspeitas de infeção estão a ser realizados no dia seguinte à elaboração dos inquéritos. "Os inquéritos que entraram até à noite de ontem vão ser realizados hoje. Garanto que a situação está completamente controlada na Amadora".

A dirigente assegura ainda que nas restantes localidades de Lisboa e de Oeiras também não se registam atrasos nas testagens.

*com Manuel Acácio e Margarida Serra

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