Do outono-inverno ao isolamento de Lisboa, relatório arrasa planeamento para responder à pandemia

Observatório independente diz que é urgente aprender com os erros do último ano.

O Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS) arrasa a forma como se têm planeado as diferentes respostas à pandemia ao longo do último ano, nomeadamente no plano feito para o outono-inverno - quando morreram milhares de portugueses -, no plano para desconfinar a partir de maio, na definição das linhas vermelhas e agora, recentemente, na tentativa de isolar a Área Metropolitana de Lisboa ao fim de semana.

No seu relatório anual (conhecido como "Relatório da Primavera"), o observatório (que reúne especialistas de várias escolas, faculdades e centros de investigação) questiona o fundamento técnico da decisão de limitar os movimentos de e para a área metropolitana, afirmando que desconhece em que "estratégia ou plano para a gestão da pandemia " se baseia.

Planeamento atrás de planeamento

Em vários momentos - por exemplo ao analisar os festejos da vitória do Sporting na I Liga ou na final da Liga dos Campeões - o relatório sublinha uma "preocupante falta de aprendizagem com aquilo que efetivamente correu mal".

Essa falta de capacidade para aprender com os erros, segundo o Observatório Português dos Sistemas de Saúde, também se nota no planeamento da resposta à Covid-19 para o último outono-inverno, naquilo que é classificado como "uma oportunidade perdida".

O plano chegou tarde, a 21 de setembro, e tinha "insuficiências" evidentes quando se compara com os planos desenhados pela França ou pelo Reino Unido, com inúmeros pontos essenciais que nem estavam previstos.

Esse plano para a época mais fria da pandemia acabou, na prática, por ser ignorado nos "múltiplos debates e decisões" pelo que, segundo o relatório, mais do que falhar o plano, "de facto, este não existiu".

Sobre o plano de desconfinamento para 2021, que começou em maio, o Observatório diz que chegou com um ano de atraso, sendo criticado que para o fazer o Governo tenha nomeado apenas "um grupo ad-hoc" de "duas pessoas".

Finalmente, as linhas vermelhas apresentadas entre abril e maio de 2020 já deviam estar previstas "o mais tardar no verão de 2020".

Voluntarismo excessivo

O relatório acusa ainda o poder político de "pressionar os peritos para que estes lhes apresentem as propostas que lhe podem parecer mais convenientes".

Acusando a gestão da pandemia de "voluntarismo excessivo", o Observatório pede "racionalidade" e que não se adie a "aprendizagem indispensável que a pandemia tem proporcionado".

Em resumo, o relatório aponta "insuficiências no planeamento de saúde" e a necessidade de um "adequado aconselhamento científico para as decisões políticas", sendo criticado o modelo das reuniões do Infarmed e a quase nula utilização do Conselho Nacional de Saúde Pública previsto na lei como "órgão consultivo do governo, em relação a riscos e emergências de Saúde Pública".

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