Do refúgio às habitações coletivas. As casas que habitamos

A exposição Em Casa - Projetos para Habitação Contemporânea é inaugurada esta sexta-feira na Garagem Sul do centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Em Casa - Projetos para Habitação Contemporânea é a nova exposição do Centro Cultural de Belém. Uma exposição que coloca em diálogo projetos de arquitetos de gerações passadas com outros de gerações mais recentes. Há casas pequenas e outras maiores, umas de linhas discretas e outras mais exuberantes.

Em que casas habitamos? Como é que atualmente os arquitetos desenham as nossas moradas? São questões que serviram de ponto de partida para a exposição.

Organizada pelo MAXXI, Museo Nazionale delle Arti del XXI secolo, de Roma em colaboração com o CCB/Garagem Sul, esta mostra exibe uma série de fotografias, projetos, maquetes e filmes de obras arquitetónicas contemporâneas. André Tavares, um dos curadores da exposição, guia-nos por um percurso que vai "do refúgio, da casa mais pequena ao grande conjunto urbano, à grande dimensão transformadora da cidade".

Nesta exposição, as casas dialogam umas com as outras. Aos exemplos italianos que o MAXXI cruzou com exemplos de outros países, os curadores André Tavares e Sérgio Catumba juntaram exemplos de projetos portugueses. "Para cada uma das escalas, o MAXXI em Roma encontrou um exemplo no arquivo de projetos do seculo XX italianos e pôs em diálogo com outro projeto contemporâneo que mostra aspetos específicos do problema que está a ser discutido. Como seja as habitações séniores ou como construir em madeira, em pedra ou em betão ou metal e a cada um desses diálogos junta-se um projeto português que traz mais uma história", explica André Tavares.

O conjunto habitacional de Chelas conhecido como Pantera Cor-de-Rosa, assinado nos anos 70 por Gonçalo Byrne e António Reis Cabrita, é um dos projetos nacionais representados na exposição, mas há também imagens da reconstrução de sete casas em Pedrogão Grande. O curador acredita que este é " um exemplo de uma situação traumática em que aquelas sete casas projetadas pelos MOB mostram como a arquitetura pode resolver situações de crise e pode ser um fator de esperança".

Na construção das nossas casas, o papel do arquiteto, defende André Tavares deve ser valorizado. "A maneira como não se convocam os arquitetos para pensar as estruturas da cidade, para pensar as nossas casas reflete-se na falta de qualidade quando os arquitetos aparecem no fim da história apenas para parecer mais bonito, para ficar melhor", lamenta.

André Tavares assegura que qualidade do espaço casa, a sua funcionalidade, as soluções são melhores quando pensadas por arquitetos. Quando desenha um quarto, um arquiteto pode fazê-lo prevendo a possibilidade de ele ser outras coisas. "Pode ser escritório, pode ser cozinha, pode ser estufa ou jardim de inverno e essa variedade passa por uma compreensão do espaço que só os arquitetos têm."

Em Casa - Projetos para Habitação Contemporânea é a nova exposição da Garagem Sul do Centro Cultural de Belém, em Lisboa e se a pandemia deixar pode ser visitada até ao verão.

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