Do rio para o prato, lampreia chega como época de abundância para pescadores do rio Lima
pesca da lampreia

Do rio para o prato, lampreia chega como época de abundância para pescadores do rio Lima

Período de captura iniciou-se a 1 de janeiro e já rendeu dez lampreias a Vitor Gonçalves, que tem até ao dia 30 de março para lançar a rede.

A primeira pescaria deste ano de Vítor Gonçalves rendeu dez lampreias. A época da pesca ao ciclóstomo no rio Lima começou a 1 de janeiro e ainda é cedo para esperar abundância, mas a sorte já bafejou o pescador. "Para a época que estamos até correu bem", comenta Vítor, que aos 40 anos de idade divide a atividade de uma empresa de pesca, com uma frota de quatro barcos de rio, com o pai Alfredo Gonçalves. Este ano, há 65 embarcações licenciadas para captura à lampreia no rio Lima.

Na primeira maré, Vitor levou o "Invejoso" e o "Noé".

"Dois barcos apanhar dez lampreias é bom. Está a ser bom", afirma Alfredo, que após mais de meio século de atividade nos rios e no mar, deixou a pesca para se dedicar à "escrita" da empresa que possui com o filho. Conhecido por "Alfredo Esposendeiro", por ter nascido em Esposende, o antigo pescador residente em Darque, Viana do Castelo, ainda é do tempo em que a lampreia era capturada em redes presas por estacas.

"Antigamente havia a pesqueira, que cercar o rio com 'varas'. Cada embarcação levava 120 estacas. Era muito trabalhoso e dava pouco. Havia dias que repartíamos uma, duas lampreias para cada um", conta, recordando: "Aquilo só tinha uma coisa, era muito bonito. Depois de cercado o rio era bonito, mas, de resto, não servia para ganhar dinheiro."

Hoje em dia, pesca-se a lampreia com rede de tresmalho, ganha-se mais, mas nunca se sabe o peixe que rio Lima traz. "Desde que fizeram a barragem Lindoso, isto está muito alterado. Já temos tido anos, em que em março não temos lampreia. Para, uns dias depois lá vem alguma e, às vezes, acaba assim, pum!", descreve Alfredo, adiantando que, ainda assim, vai havendo alguma abundância. E "os preços têm-se mantido bem".

"No ano passado, nunca pensamos que a lampreia se ia vender tão bem. Mesmo em tempo de pandemia, ficamos admirados como é que a pesca da lampreia foi espetacular. No mínimo, o preço foi 15 euros, mas vendia-se a 20, 25, 30. Vendeu-se muito bem", recorda, referindo que "agora nunca se consegue fazer uma previsão" do que vai acontecer em cada ano.

Os preços na lota neste início de época, oscilam "40 euros e 50 euros". Esta ainda é a época mais rentável do ano para os pescadores de rio. "[a lampreia] É a melhor parte da pesca de rio. Quem fizer estes três meses a pescar a sério, sem dúvida que é a altura em que se ganha mais dinheiro", afirma Vitor Gonçalves, lembrando que, tanto ele como o pai, já tiveram marés de abundância recorde. "Pesquei 232 num só dia e o meu pai já pescou mais. Pescou 410, mas para isso acontecer tem de estar a condições perfeitas", garante.

No Lima a época da lampreia, agora a correr, suspende em 30 de março, entra em defeso e regressa de 6 de abril a 1 de maio.

O peixe, confecionado de várias maneiras, faz as delícias de apreciadores de todo o país e da vizinha Espanha. E também do antigo pescador Alfredo Esposendeiro. Diz: "Gosto muito de lampreia. Adoro. De todas as formas: de arroz, no espeto, à Bordalesa, assada no forno, feijoada... Lampreia é espetáculo, para quem gostar."

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