Doença de Alzheimer mobiliza dois mil milhões de euros por ano em Portugal

A doença com maior "número de anos vividos com alta incapacidade" leva a gastos na ordem de 1% do PIB todos os anos, e os casos não param de aumentar.

Gasta-se dois mil milhões de euros por ano com a doença de Alzheimer em Portugal, o que equivale a 1% do PIB, isto é, 1% da riqueza produzida no país. As contas são da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa e são apresentadas esta manhã, numa sessão organizada pela associação Alzheimer Portugal.

Isabel Santana, porta-voz da associação e diretora do serviço de neurologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, admite tratar-se de um número "muito elevado", até, com o envelhecimento da população a agravar-se, é fácil concluir que há cada vez mais casos. "Por que é que a doença de Alzheimer tem este impacto? A doença de Alzheimer acaba por condicionar muitos anos, com uma grande incapacidade."

Em declarações à TSF, a profissional de saúde vinca que o Alzheimer "representa a situação número um em número de anos vividos com alta incapacidade", estando "à frente do AVC no número de anos vividos com alta incapacidade, porque nesta incapacidade incluímos a perda cognitiva, que é essencial à nossa autonomia".

Em Portugal, estima-se que existam 194 mil pessoas com demência, das quais 60 a 80% têm Alzheimer, uma doença que afeta sobretudo os idosos. "Por cada cinco anos de vida, acima dos 65 anos, o número de casos de demência e doença de Alzheimer duplica. A doença, que não é uma doença rara, mas é pouco frequente antes dos 60 anos, a partir dos 65 anos, torna-se extremamente prevalente."

Algumas estimativas apontam para que 25% das pessoas com mais de 85 anos sofram de demências, das quais 70% terão origem na doença de Alzheimer. Em Portugal, haverá 145 mil doentes com Alzheimer. Cada doente custa pelo menos 5500 euros por ano. A maioria dos gastos vai para os cuidadores informais e os apoios sociais. Por isso, Isabel Santana aponta duas áreas que devem merecer prioridade. "O foco é, claramente por ser o mais deficitário, as estruturas de suporte social", mas sem esquecer a necessidade de diagnosticar precocemente, para que as estratégias terapêuticas tenham maior probabilidade de êxito.

O estudo "Custo e carga da doença de Alzheimer em Portugal" é apresentado e discutido numa conferência online, na manhã desta terça-feira.

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