Doentes em UCI. "Hospitais devem preparar-se para o caso de uma nova vaga"

O responsável da resposta de Portugal em medicina intensiva afirma à TSF que, apesar do número de doentes em UCI continuar a diminuir, é necessário ter "muito cuidado" e os hospitais devem preparar-se para um eventual aumento do número de internados nestas unidades.

O número de doentes em Unidades de Cuidados Intensivos (UCI) continua a diminuir, estando, neste momento, abaixo dos 200. De acordo com o responsável da resposta de Portugal em medicina intensiva, este é um bom sinal.

No entanto, em declarações à TSF, João Gouveia alerta que os hospitais devem manter um plano para o caso do número de doentes Covid aumentar novamente. "Temos que ter todos muito cuidado para que não voltemos a uma nova vaga e de qualquer das maneiras os responsáveis, principalmente a nível dos hospitais, têm que se preparar para o caso de haver uma nova vaga. Eu acho que nós temos que nos preparar para o pior e esperar que aconteça o melhor", afirma.

Na medicina intensiva, é importante que haja um "redimensionamento, um voltar quase ao normal, mas preparando tudo para o caso de ser necessário voltar a ativar os mesmos planos, as mesmas camas e os mesmos recursos humanos".

João Gouveia lembra, porém, que "a pandemia não se vence na medicina intensiva, vence-se na comunidade".

O responsável considera que é possível que o número de vítimas mortais continue a aumentar, nos próximos dias. "Há muitos doentes que já estão há muito tempo em intensivos, são doentes que estão esgotados do ponto de vista fisiológico e da capacidade de recuperação e é natural que estes doentes estejam a falecer agora nesta altura, é natural que os mortos ainda aumentem durante alguns dias, a meu ver", explica.

João Gouveia adianta que está a ser feita uma reconversão das camas que estavam dedicadas aos doentes Covid para os doentes não Covid. Contudo, "é difícil ter ainda capacidade de resposta", porque "alguns dos doentes que inicialmente eram doentes Covid, que neste momento já não são contagiosos e que muitas vezes passam para serviços não Covid, ocupam na mesma as camas".

Sobre a equipa de médicos alemães que deu apoio no combate à Covid no Hospital da Luz, João Gouveia agradece a ajuda prestada e revela que vão começar a sair de Portugal já na próxima semana. "Foi uma ajuda extremamente importante, permitiu aliviar vários hospitais que estavam na ARS de Lisboa e Vale do Tejo com uma pressão muito grande e felizmente, neste momento, essa grande pressão está ultrapassada e a equipa está a preparar-se para regressar dentro do prazo inicialmente combinado", refere.

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