Doentes sem acesso a receitas escritas à mão. Lei feita por "quem não conhece o país"
Reportagem TSF

Doentes sem acesso a receitas escritas à mão. Lei feita por "quem não conhece o país"

A Ordem dos Médicos entende que é desnecessária mais uma barreira administrativa que coloca mais dificuldades a quem precisa dos seus médicos. A TSF foi conhecer um caso.

Helena Rodrigues médica-cirurgiã aposentou-se há alguns anos. Mora na zona centro do país e, embora não tenha consultório, continuava até há poucos dias a ver doentes que lhe pediam ajuda. "Os que vivem mais próximo de mim batem-me à porta, eu vejo-os, oriento-os, medico-os, se é caso disso", conta a médica. Mas essa situação só foi possível até ao dia 30 de junho. Helena apercebeu-se dos constrangimentos que a nova lei estava a causar quando um dos pacientes a informou que a farmácia tinha recusado aviar a receita que levava.

A partir de 30 de junho, por decreto-lei, estes médicos que ainda passavam receitas manuais estão impedidos de continuar a sua atividade pela não-renovação da exceção contida na Portaria 224/2015. Embora admita que o número de clínicos que utilizam receitas manuais é cada vez mais residual, a Ordem dos Médicos entende que é desnecessária mais uma barreira administrativa que coloca ainda mais dificuldades a quem precisa dos seus médicos.

Helena Rodrigues lembra que os seus doentes são sobretudo pessoas mais velhas e receberem uma receita eletrónica num telemóvel, por exemplo, é algo impensável.

"A maior parte destas pessoas se têm telemóvel, ele é do tempo do Afonso Henriques" exclama. Explica que as pessoas "só sabem receber chamadas de um filho, de um neto ou vizinho. O telemóvel não serve para mais nada", esclarece

Na zona onde vive a médica continuava a acudir a muitos doentes também porque os médicos de família cada vez são menos." Havia quatro. Dois saíram, uma está doente e outra está de férias porque também tem direito a isso".

A médica considera que quem fez a lei que proíbe os médicos de passarem receitas em papel escritas à mão está desfasado da realidade do País."É de quem não tem a mínima noção de como funciona o país, só de como funciona Lisboa", lamenta.

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