Dois anos, 60 países, 80 mil km. Às voltas pelo mundo numa mini-moto

Em plena pandemia, há um português a dar a volta ao mundo numa moto que, originalmente, cabia na mala de um carro. A pandemia atrasou a partida, marcada para março, mas, agora, não há vírus que o trave.

André Sousa partiu de Avis, no Alentejo, em meados de julho, e só deve regressar a Portugal lá para 2022, na melhor das hipóteses. O objetivo é atravessar e conhecer perto de 60 países e percorrer cerca de 80 mil quilómetros, numa aventura que inclui todos os continentes.

Viaja sozinho, mas não solitário, numa moto mesmo muito pequena. A Honda "monkey" nasceu no Japão dos anos 60, como um brinquedo, mas rapidamente "saltou" para a estrada e, nos anos 70, transformou-se num verdadeiro ícone para quem gosta de viajar em duas rodas.

Day 105 - Greece 20 Countries 12500kms . I've been in Greece for about two weeks now and I couldn't be happier and more grateful to the Greek Motorcycle Federation (MOTOE) that is organizing my entire journey through this incredible country! Since the day I passed the Greek border where I was already expected to welcome, the hospitality has been unbelievable ❤️ All the motoclubs have offered me a hotel, a lot of food, a lot of drinks and a very good mood... always with phenomenal recession parties I am halfway through my journey in Greece and the stories are already countless... those who did not follow can see all in the saved stories of Greece... all the people, motoclubs, stories and adventures ✊ Thank you very much Greece, I feel at home ❤️ . Já estou à cerca de duas semanas na Grécia e não podia estar mais feliz e agradecido à Federação Grega de Motociclismo (Motoe) que tem organizado todo o meu percurso por este incrivel país! Desde o dia em que passei a fronteira Grega onde já me esperavam para dar as boas vindas, a hospitalidade tem sido inacreditavel ❤️ Todos os motoclubes me têm oferecido hotel, muita comida, muita bebida e muito boa disposição... sempre com fenomenais festas de recessão Vou a meio do meu percurso pela Grécia e as histórias já são incontáveis... quem não acompanhou pode ver nos stories guardados da Grécia todas as pessoas, motoclubes, historias e aventuras ✊ Muito obrigado Grécia, sinto-me em casa ❤️ ... #motorcycletravel #motorcycleadventure #mototravel #motoadventure #motorcycletouring #motorcycletrip #motolife #hondamonkey #hondamonkey125 #greece #hondamotospt #hondamotorcycles

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Havia "todas as razões e mais uma" para isso. Uma delas era o facto de caber na mala de um carro. Recentemente, para assinalar o meio século do popular modelo, a marca lançou uma nova versão, aquela que André Sousa conduz, por estes dias, mundo fora.

É ligeiramente mais alta do que a original, tem um motor de 125 cc, 4 mudanças e 9 cavalos. Contando o peso da moto, do condutor e da bagagem, o total anda pelos 200 quilos, o que não lhe permite velocidades médias superiores a 50 ou 60 km/hora. Mas devagar se vai ao longe, já lá diz o ditado.

"Saí da Suíça com mais dinheiro do que o que tinha quando entrei!"

Quando a TSF falou com André Sousa, o conta-quilómetros já marcava 11 mil kms, através de 20 países. Nesse dia, estava na Bulgária e tinha acabado uma volta ao país. Mais mil quilómetros em 3 dias, desafio de um grupo de amigos de Vespas, a mítica moto italiana.

Pelo meio, há já muitas histórias para contar, como a de um acidente grave, com um condutor que fugiu nos Alpes franceses. E um encontro inesquecível com os portugueses na Suíça.

"Estive 15 dias na Suíça e, em vez de gastar dinheiro, saí com mais do que o que tinha quando entrei!". A comunidade portuguesa foi "incrível", ajudou-o de todas as formas que pôde e os motards até faziam coletas de dinheiro para ajudar à viagem.

Day 36 - Switzerland 8 countries . The reception by the Portuguese community in Switzerland, since I arrived at the border was just incredible! As soon as I arrived at the border via Col de Saint Bernard I was received by @da.vi_d, who has been following the adventure on Instagram. He insisted on paying me for the fuel and taking me to the Cristal restaurant in Aigle, where I was received at a great dinner by the Portuguese and the group of mini hondas The machine is already being upgraded by Afonso, a neighbor of Maceda ... I will soon show you the result Afterwards, I will continue on my way to visit Switzerland, wherever I am received, towards Liechtenstein! . A receção pela comunidade portuguesa na Suíça, desde que cheguei à fronteira foi simplesmente incrível! Mal cheguei à fronteira pelo Col de Saint Bernard fui recebido pelo @da.vi_d , que tem acompanhado a aventura pelo Instagram. Fez questão de me pagar o combustível e levar-me até ao restaurante Cristal em Aigle, onde fui recebido numa grande jantarada pelos portugueses e pelo grupo de mini hondas A máquina já está a levar um upgrade pelo Afonso, um vizinho de Maceda... em breve mostro o resultado Depois irei seguir caminho a visitar a Suíça, por onde for recebido, em direção a Liechtenstein! .......... #motorcycletravel #motorcycletrip #motorcycleadventure #motorcycletouring #switzerland #rtwtravel #hondamonkey #hondamonkey125 #mototraveler #mototouring #mototrip

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Dinheiro, roupa, comida, dormida... Como fazer?

À partida de Avis, no Alentejo, a roupa que levava na bagagem resumia-se a seis camisolas, umas calças de ganga, um parte de sapatos a mais e roupa interior. Mas, com a ajuda do patrocinador, lá se vai renovando. E a usada vai quase toda para o lixo.

Para dormir, não falta a tenda, mas há muito quem ofereça a casa e uma manta quentinha. Portugueses, que os há por todo o lado; mas sobretudo gente das motos, dos moto-clubes que se multiplicam a cada país por onde passa. Há sempre alguém à espera. De tal forma que, apesar de viajar sozinho, não sobra tempo para se sentir solitário. Nem para ter saudades, garante.

Day 24 - Mónaco and Côte d"Azur 5 countries . After camping in Hyères I followed the Côte d'Azur to Nice, where I slept in a hostel for the first time ... because I had no one to receive me. I needed to wash my clothes and take a decent shower. My bad luck that everything is very expensive here, I paid 19 euros to sleep with 13 more people in the room, the environment and conditions were not the best The next day I went to Monaco! Spectacular opportunity to make the Formula 1 track with the "super lupine" and yes ... always with my elbow down as you can see in the picture, not even @marcmarquez93 can beat me ✊ I thank the tourist who I tortured for a long time to act as a photographer and the 4 people who wanted to help thinking that I had dropped the bike and needed help I just don't thank the Monaco police, who, once again, wanted to fine me Today I am going to sleep in Menton, where I will stay for a few days because Monkey needs to do the revision and they have a lot of service in front of me. So I take the opportunity to rest a little ✊ . . Depois de acampar em Hyères segui sempre pela Côte d"Azur até Nice, onde pela primeira vez dormi num hostel... pois não tinha ninguém para me receber. Precisava de lavar a roupa e tomar um banho decente. Azar o meu que aqui é tudo bastante caro, paguei 19 euros para dormir com mais 13 pessoas no quarto, o ambiente e as condições não eram as melhores No dia seguinte segui para o Mónaco! Espetacular a oportunidade de fazer a pista da Fórmula 1 com o "super tremoço" e sim... sempre de cotovelo no chão como vêm na foto, nem o @marcmarquez93 me apanhava ✊ Agradeço ao turista que torturei durante bastante tempo para fazer de fotógrafo e às 4 pessoas que queriam ajudar a achar que eu tinha deixado cair a máquina e precisava de ajuda só não agradeço à polícia do Mónaco que, mais uma vez, me queriam multar Hoje vou dormir em Menton, onde ficarei alguns dias pois a Monkey precisa de fazer a revisão e eles têm bastante serviço à minha frente. Assim aproveito para descansar um pouco ✊ . . #motorcycletravel #motorcycleadventure #motorcycletrip

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São momentos de partilha que nem a pandemia impede. André Sousa confessa que, com tanta gente com quem tem estado, acredita que já teve "contacto com o vírus". Mas, numa viagem como esta, "é difícil" ser de outra forma. "Se tivesse os cuidados todos ao pormenor, não ia dormir em casa de ninguém, não ia estar em contacto com outras pessoas".

É bom estar "longe de casa"

As pessoas, as diferenças culturais, são o que motiva este português aventureiro. Na Europa, sente-se "em casa", é tudo "muito parecido" com Portugal, mas, à medida que se afasta para Leste, que entra nos Balcãs, tudo começa a mudar.

Na Bósnia - Herzegovina, por exemplo, ainda são muitos os sinais da guerra. "Muitos edifícios têm tiros, estão esburacados, (...) a parte muçulmana, o som das mesquitas, a comida....". Ao contar dos quilómetros, André confessa-se "ansioso" por entrar na Turquia, no Irão, no Paquistão", que ainda não conhece, mas onde espera "apaixonar-se mais", por causa das diferenças culturais. "Sinto que já estou longe de casa, que é o que eu gosto".

Depois da Ásia, o jovem português e a sua mini-moto seguem para a Austrália. O transporte da moto entre continentes é um dos maiores desafios da viagem, porque envolve grandes custos - a rondar os 10 mil euros, sem contar com o condutor - e porque, em muitos países, é exigido um seguro próprio.

Depois da Austrália, a viagem inclui as Américas - do Sul, Central e do Norte, até ao Canadá. África será o último continente, antes de regressar a casa, nunca antes de 2022. Ou 23, quem sabe!

A viagem de André Sousa à volta do mundo pode ser seguida na rede social Instagram em "ride_that_monkey"

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