Dragagem do estuário do Sado arranca esta quarta-feira

Obra custa cerca de 25 milhões de euros e é identificada como um fator crucial para o desenvolvimento da região de Setúbal.

A dragagem do estuário do Sado vai ter início já esta quarta-feira (amanhã), num conjunto de trabalhos que vai permitir que navios de maior porte possam entrar no Porto de Setúbal. A data foi confirmada pela presidente do Conselho de Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra, Lídia Sequeira, no Fórum TSF desta quarta-feira.

"Iniciam-se amanhã." Com apenas duas palavras, Lídia Sequeira confirmou o início dos trabalhos, que vão prolongar-se até maio do próximo ano (2020) e que vão custar cerca de 25 milhões de euros, parte deles com participação comunitária.

As dragagens, explica a presidente do conselho de administração, são necessárias para que o porto possa receber navios de maior porte e que carregam contentores de mercadoria, que antes era transportada "a granel".

"Neste momento é uma questão de organização do sistema de transportes", explica Lídia Sequeira, que estava reunida com os trabalhadores que vão levar a cabo a obra.

Além da possibilidade de receber navios maiores, a responsável nota também que estes trabalhos vão permitir que a região se desenvolva mais, ao qual se junta o "projeto de eletrificação e de correção do perfil da via férrea, no troço final de ligação ao porto de Setúbal", que já está em marcha.

"Vai ser também lançado, proximamente, um concurso público para efetuar a obra", reforçou Luísa Sequeira, sublinhando que "a melhor forma de a região de Setúbal receber mercadorias é por via marítima e, associada a essa via, ser servida pela via ferroviária".

A presidente do conselho de Administração garante que os requisitos legais para avançar com os trabalhos foram cumpridos e diz agora esperar que os deputados saibam analisar e entender a importância desta obra para a região de Setúbal.

Estudos são suficientes

O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Nuno Lacasta, garante que todos os estudos para assegurar a segurança ambiental das dragagens do Sado foram feitos e que essa mesma ação não vai por em causa a saúde pública e ambiental.

No Fórum TSF desta terça-feira, Nuno Lacasta explicou que "o facto de o Porto de Setúbal precisar de dragagens para funcionar não quer dizer que isso ponha em causa os valores ambientais" e que, por isso mesmo, já tinha sido feita "uma avaliação de impacto ambiental" há alguns anos.

Nesse estudo, explica o presidente da APA, "conseguiu assegurar-se que a dragagem não punha em causa a comunidade de golfinhos" do rio Sado e garantiu que o estudo foi realizado "tendo em conta as diferentes preocupações ambientais e económicas".

Nuno Lacasta sublinha mesmo que "quando os valores ambientais são ameaçados de forma que não permita perseguir uma determinada obra ou investimento, a avaliação chumba" o projeto.

Neste caso, tal como em todos os outros, assegura, "o promotor faz as análises de acordo com as especificações técnicas predefinidas, as várias administrações analisam essa informação e, se necessário, pedem mais informação. Foi o que foi feito".

Sobre se a saúde pública e ambiental estão ameaçadas, a resposta foi pronta: "Não."

*com Manuel Acácio

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