E depois da Covid-19? Eventuais sequelas vão desde fadiga a danos cerebrais
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E depois da Covid-19? Eventuais sequelas vão desde fadiga a danos cerebrais

Porque se trata de um vírus novo, é impossível saber que efeitos a longo prazo decorrerão de uma infeção pelo SARS-CoV-2. Mas a comunidade científica sugere eventuais consequências que vão desde fadiga a danos cerebrais ao fim de semanas ou mesmo meses.

Uma pessoa com Covid-19 tanto pode sofrer uma doença grave que pode levar à morte como ser contagiado mas não manifestar quaisquer sintomas. Em ambos os casos, permanece a incógnita - que sequelas poderá trazer no futuro?

Consequências dos cuidados intensivos

A alta médica é apenas o início de um longo processo de recuperação para pessoas que tenham sido atingidas pela doença de forma particularmente grave e tenham, por isso, passado pelos cuidados intensivos.

Uma vez ultrapassada a Covid-19, estes doentes podem precisar de fisioterapia para voltar a levantar os braços e pernas, sentar-se sem apoio, andar, ou mesmo falar e engolir.

Fadiga pós-viral

Muitos doentes que se mantiveram infetados pelo novo coronavírus durante um longo período de tempo reportaram sentir fadiga, dores musculares e dificuldade de concentração. Os investigadores estão a tentar estabelecer se podem tratar -se de sintomas de síndrome da fadiga crónica, uma sequela associada, por exemplo, à infeção pelo vírus Epstein-Barr ou à febre Q, provocada por uma bactéria que frequentemente afeta o sistema respiratório.

Estudos indicam que cerca de um terço das pessoas infetadas durante o surto de Sars, em 2003, também indicaram sentir uma tolerância reduzida ao exercício durante vários meses após a recuperação, apesar de os seus pulmões aparentarem estar saudáveis.

Danos em vários órgãos

Dificuldade em respirar, tosse ou pulso acelerado podem ser indicadores de danos no tecido de vários órgãos em doentes recuperados da Covid-19. Problemas a longo prazo nos pulmões e coração são os mais frequentes, em alguns doentes também se verificaram danos no fígado e pele.

Ainda não é possível determinar inequivocamente se estes danos são permanentes. Um grupo de médicos da University Clinic of Internal Medicine em Innsbruck, Áustria, observou melhorias ou mesmo recuperação total em 86 pacientes afetados por lesões ou fluido nos pulmões. "Há alguns sinais de danos reversíveis", disse Thomas Sonnweber, coautor do estudo publicado na plataforma ClinicalTrials.gov, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos.

Outras infeções virais

Um estudo publicado na revista científica The Lancet aponta como eventuais efeitos colaterais a longo prazo da Covid-19 o surgimento de outras infeções virais, como mononucleose, sarampo e hepatite B.

Sintomas idênticos aos sentidos durante a doença

O mesmo estudo enumera uma lista de queixas a longo prazo muito idêntica às sentidas durante a fase aguda da doença.

Há relatos de quem, mesmo depois de recuperar da doença, sofreu de: fadiga extrema; fraqueza muscular; febre baixa; incapacidade de concentração; lapsos de memória; mudanças de humor; dificuldades em dormir; dores de cabeça; dor semelhante a picadas de agulhas nos braços e pernas; diarreia e vómitos; perda de paladar e olfato; dor de garganta e dificuldade para engolir; reaparecimento de diabetes e hipertensão; erupção cutânea; falta de ar; dores no peito e palpitações.

Saúde mental

Os doentes recuperados da Covid-19 podem ser vítimas de depressão, ansiedade, insónias e stress pós-traumático. Nos doentes mais velhos, os investigadores ainda estão a tentar determinar se a Covid-19 pode acelerar a deterioração cognitiva em pessoas com demência.

Danos cerebrais

Há milhares de estudos sobre o novo coronavírus, assim como sobre as sequelas que pode provocar. Nem todos foram submetidos à revisão e acreditação de outros especialistas às quais se submetem os artigos tradicionais publicados em revistas científicas. Se, por um lado, podem não ter o mesmo nível de fiabilidade, por outro, a urgência de encontrar soluções para a pandemia de Covid-19 exige este tipo de 'atalhos' no processo de investigação científica. Descobertas inéditas podem, assim, ser avaliadas pela comunidade científica alargada e contribuir para conhecê-la cada vez melhor.

É o caso de um estudo realizado por mais de 70 investigadores brasileiros, que indica que o novo coronavírus pode afetar o cérebro e provocar a morte de neurónios, mesmo em doentes leves ou assintomáticos, que não tenham necessitado de tratamento hospitalar.

Publicado na plataforma científica medRxiv sem avaliação prévia, este estudo indica que o vírus pode promover alterações significativas na estrutura do córtex, a região do cérebro mais rica em neurónios e responsável por funções complexas como a memória, atenção, consciência e linguagem.

Segundo os investigadores, quando o novo coronavírus entra no cérebro, ataca células responsáveis pelos processos metabólicos, dificultando a produção de energia e a nutrição dos neurónios e podendo levar, consequentemente, à morte do tecido cerebral.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

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