"É mais importante convencer não vacinados a vacinarem-se do que insistir em terceiras doses nos mais jovens"

O investigador Miguel Castanho espera um período de estabilização e um decréscimo rápido dos números da pandemia.

É preciso "convencer os não vacinados a vacinarem-se". Quem o diz é Miguel Castanho, investigador da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa que não tem dúvidas em relação às vacinas contra a Covid-19.

"É mais importante neste momento convencer os não vacinados a vacinarem-se, do que insistir em terceiras doses para populações mais jovens ou até na vacinação das crianças. Porque sobretudo eles contribuem muito para a propagação do vírus", afirma o investigador em declarações à TSF.

No dia em que o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, disse que quase 90% dos internados em cuidados intensivos não estão vacinados, Miguel Castanho acredita que a divulgação desses números deve ser a aposta no combate à pandemia.

"Neste momento, já é absolutamente inegável o valor das vacinas no número de vidas poupadas, e isso é quantificável. Nós podemos comparar quantas pessoas morriam no início da pandemia e quantas passaram a morrer após a vacinação mais extensa e os números elucidativos. Nós ainda não tínhamos chegado a esta fase do Natal e da Ómicron e já se estimava que havia 2500 vidas poupadas pelas vacinas. Atenção 2500 vidas poupadas pelas vacinas correspondem a cinco anos de sinistralidade automóvel em Portugal", explica.

Questionado sobre os valores da incidência, que esta segunda-feira voltaram a aumentar, o investigador da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa considera que "é um problema que não pode ser menorizado nem desprezado", ainda que "sem um impacto proporcional ao nível dos cuidados intensivos".

"Corresponde a muita gente doente, seja com uma forma mais moderada ou mais severa, corresponde a um absentismo elevado. E uma incidência desta ordem quer dizer que na prática nós estamos num confinamento. Não num confinamento decidido genericamente, mas um confinamento pessoa a pessoa, isto é, um confinamento individual, mas que no seu somatório é quase um confinamento", garante.

Sobre esse não acompanhamento nos cuidados intensivos, que "é a parte boa", Miguel Castanho explica porque é que isso acontece: "A vacinação é muito eficiente a bloquear a progressão de doença moderada para doença mais grave e, portanto, nós temos um efeito de bloqueio garantido pelas vacinas sobre a esmagadora maioria das pessoas que estão doentes. Isso é bom. O segundo fator é uma menor gravidade intrínseca na doença provocada pela Ómicron. Há um terceiro fator, que ajuda a explicar a situação, que é o facto de termos progredido muito nas tecnologias de testagem, estarmos a testar muito mais do que antes, e, portanto, a incidência também estar elevada em função do número de testes."

Sobre o futuro, Miguel Castanho lembra que tal como os números de novos casos aumentam muito rapidamente, mas o mesmo pode acontecer ao contrário.

""Vão alterar-se condições, quer a nível de número de testes, quer condições de alta, quer de final de festejos e menos encontro entre pessoas, que vão tender a desacelerar o aumento do número de casos. Eu suponho que entrar num período de estabilização e depois em decréscimo. Nós já sabemos, e é próprio da multiplicação viral e foi o que observámos em outras fases da pandemia, que a ascensão pode ser muito rápida, mas o decréscimo também pode ser muito rápido. Isto é, quando começa um decréscimo no número de casos, este decréscimo também é igualmente rápido. Eu creio que agora tendencialmente haverá uma desaceleração e acabará por haver um decréscimo rápido do número de casos nas próximas semanas", antevê o investigador.

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