É preciso vacinar 70% dos portugueses para acabar com pandemia. Vacina opcional não é problema

Vacina será opcional, mas decisão anunciada pelo Governo não será um problema para chegar à imunidade de grupo.

A vacina contra a Covid-19 vai ser facultativa, não-obrigatória, mas, mesmo que uma boa parte dos portugueses decidam não ser vacinados, isso não significa que a pandemia não acabe. O presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia sublinha que, segundo vários especialistas, incluindo o próprio, basta que cerca de 70% da população seja vacinada para que a pandemia desapareça.

Paulo Paixão admite que a doença dificilmente desaparecerá se as pessoas não forem todas vacinadas, mas a pandemia, ou seja, a propagação acelerada do vírus da Covid-19, acaba se for atingida uma taxa de vacinação de 70%.

Igualmente ouvido pela TSF, o infecciologista Jaime Nina subscreve a ideia de que, no caso da Covid-19 e do seu padrão de transmissão, bastará cerca de 70% da população vacinada para acabar com a pandemia. Sabendo que neste coronavírus, em média, cada infetado contagia, sem medidas preventivas, 2,2 a 2,6 pessoas, isso significa que com 65 a 70% da população vacinada, trazendo essa média abaixo de 1, "a epidemia extingue-se espontaneamente", indica o professor da Universidade Nova de Lisboa e médico no Hospital Egas Moniz.

Se as pessoas à nossa volta estiverem vacinadas, o vírus não nos chega, mesmo que nós, isoladamente, não estejamos vacinados, acrescenta Jaime Nina.

Ambos os especialistas concordam com a opção de fazer desta uma vacina facultativa - recordando que é isso que acontece com todas as outras vacinas de todas as outras doenças - e acreditam que isso não será um problema.

Para Paulo Paixão, o presidente da Sociedade Portuguesa de Virologia, o Governo tem agora de desenvolver uma campanha forte para convencer as pessoas, nomeadamente os mais céticos, sobre as vantagens da vacina, sob pena de "ser ridículo não resolver a pandemia se existir uma percentagem significativa de pessoas que não se quer vacinar" - o ideal seria vacinar todas as pessoas.

Para quem tem medo de uma vacina desenvolvida em tão pouco tempo, Paulo Paixão admite essa rapidez, mas diz que as metodologias usadas são seguras, com "muito pouca probabilidade de efeitos acessórios" que chegaram a existir em vacinas do passado - de outras doenças.

Neste caso, diz o virologista, aquilo que a vacina faz é "simular uma infeção natural sem os riscos da infeção natural".

A dúvida que existe, afirma Paulo Paixão, não é a eficácia ou a segurança das vacinas contra a Covid-19, mas a duração da imunidade que estas irão dar a quem as recebe.

LEIA TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de