É seguro encomendar comida para casa? Estes são os cuidados a ter

Especialistas explicam que podemos comer refeições confecionadas no exterior, mas é preciso ser criterioso. As empresas de entregas ao domicílio estão a adaptar-se à nova realidade de trabalho em tempo de Covid-19.

Está em casa, em isolamento ou em teletrabalho, a cumprir o distanciamento social. A hora da refeição começa a aproximar-se. Encomendar para entrega em casa ou passar apenas pelo restaurante para levar um takeaway afiguram-se como alternativas tentadoras aos tachos e panelas que estão na cozinha. Mas, em tempo de pandemia, é normal que surjam receios sobre o que é seguro ou não fazer.

Podemos consumir comida feita no exterior, sem sabermos se quem a confecionou esteve em contacto com o novo coronavírus? De acordo com a médica infecciologista Isabel Aldir, a resposta é sim. Claro que temos de manter alguns cuidados, mas não há problema em comer refeições de takeaway ou entrega ao domicílio, uma vez que, com o calor, ao serem cozinhados, é eliminado o risco de propagação do vírus através dos alimentos.

"Podemos ter tranquilidade. O processamento e aquilo que é habitual na confeção dos alimentos pressupõe que estamos protegidos", garante Isabel Aldir, em declarações à TSF.

A infecciologista alerta, no entanto, que o cuidado deve ser maior quando falamos de alimentos não processados e que não são alvo de um processo de confeção ao lume ou ao forno, como saladas frias ou sushi, por exemplo: "Em alimentos que não foram processados, o cuidado deve ser maior. Talvez fosse de evitar, neste momento, essa alternativa em termos de regime alimentar". Isabel Aldir reconhece que, apesar de "ser mínimo", ainda assim, em bom rigor, "não podemos afirmar que não possa constituir algum risco. Portanto, o ideal é consumir comida confecionada", reforça.

A médica ressalva, no entanto, quer para as pessoas que estejam a cozinhar nos estabelecimentos de restauração, quer para as pessoas infetadas e não infetadas pelo novo coronavírus que estejam em casa e queiram preparar uma refeição, a importância de fazer sempre uma boa higienização das mãos: "Todo o cuidado é pertinente quando se confeciona a comida", sublinha.

E quando nos levam a comida a casa?

Como evitar riscos para os próprios trabalhadores das entregas e para os clientes? A resposta passa, naturalmente, pelo distanciamento físico. "O cuidado de haver um contacto o mais distante possível deve ser a regra", indica Isabel Aldir. "Não deve ser feita aquela passagem habitual de mão a mão, mas, sim, deixar a comida à porta para depois ser recolhida", aponta a especialista.

A infecciologista lembra também que, nesta altura, o ideal é fazer o pagamento destas refeições "à distância" (através das aplicações móveis). Devemos evitar, a todo o custo, fazer o pagamento em numerário (as moedas e notas têm um grande potencial para a propagação do vírus) e, caso tenhamos de pagar com cartão, lavar sempre as mãos "antes e depois de tocar num terminal de multibanco".

Seja como for, a prática é segura e até mesmo recomendada, durante estes tempos de recolhimento em casa. "Podemos comer comida confecionada noutros locais, receber entregas no domicílio, usar desses apoios, até para evitar deslocarmo-nos à rua e para reduzir ao máximo a nossa mobilidade", frisa Isabel Aldir. Além de estarmos a ajudar as empresas e a estimular a economia, "mantemos a vida num registo mais próximo do normal, sem que nos estejamos a expor a um risco acrescido".

Contactadas pela TSF, as duas empresas de maior dimensão no ramo das entregas ao domicílio a operar em Portugal - a Uber Eats e a Glovo - não adiantam como está a evoluir o volume de entregas de refeições desde que o novo coronavírus chegou ao país, mas a verdade é que já se adaptaram a esta nova realidade.

A Uber Eats eliminou a taxa de entrega para todos os pedidos, a qualquer altura do dia, até 3 de abril. As entregas podem ser feitas sem contacto, como recomendam os especialistas, basta que o cliente deixa uma nota na aplicação para que o pedido seja deixado à porta.

Também a Glovo está a proceder a entregas sem contacto, já não sendo necessária a assinatura no ato da entrega e com a encomenda a ser deixada à porta.

O mesmo está a ser feito noutras empresas de entregas ao domicílio, como a Take Away e a Cookoo, enquanto outras como a noMENU e a Comer em Casa, garantem que estão a reforçar as medidas de higiene. Há ainda algumas a reforçar o seu raio de entrega, como a Eat Tasty, que alargou a área de cobertura e passou a dar resposta a pedidos de almoço também em moradas particulares.

Em resposta à TSF, a Uber Eats garante que as medidas tomadas em resposta ao novo coronavírus vão além destas atualizações nas entregas e assegura que está a seguir todos os conselhos e a colaborar com as autoridades de saúde pública.

A empresa de distribuição informa que está a "suspender temporariamente as contas de utilizadores e motoristas que tenham, comprovadamente, contraído ou sido expostos" ao novo coronavírus e a "fornecer aos trabalhadores desinfetantes" para manterem as suas viaturas higienizadas.

Uber Eats garante também que está a tomar medidas para salvaguardar os trabalhadores infetados. Aqueles que se virem num isolamento obrigatório decretado pelas autoridades de saúde pública irão receber uma assistência financeira durante 14 dias, sendo que o valor do apoio será calculado com base na remuneração média diária do trabalhador em causa durante os últimos meses.

LEIA AQUI TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de