"É uma entidade oficial a chamar a atenção." Cuidadores informais pedem que Governo siga conselhos de Marcelo

Para a porta-voz da Associação Nacional de Cuidadores Informais ainda há muito a fazer.

Os cuidadores informais queixam-se de falhas na lei e pedem ao Governo para que siga os conselhos do Presidente da República. A porta-voz da Associação Nacional de Cuidadores Informais, Maria dos Anjos Catapirra, considera que falta vontade política para corrigir as falhas na lei, como pediu Marcelo no sábado, e admite não ter muita esperança nas mudanças.

"Tenho as minhas dúvidas, mas esperemos que sim porque é uma entidade oficial a chamar a atenção, não são os cuidadores informais. Mas se a vontade para que a portaria tivesse saído em novembro fosse muita já tinha saído. Esperemos que agora, com o Orçamento de 2023 já aprovado, as coisas tenham alguma evolução. Acima de tudo há alguma falta de vontade política. Depois bem sabemos que isto se prende muito com a área da saúde e os problemas que têm existido", confessou à TSF Maria dos Anjos Catapirra.

Para a porta-voz ainda há muito a fazer pelos cuidadores informais.

"Continuamos a ter uma regulamentação, lei e um estatuto de cuidador informal, mas não temos medidas praticamente nenhumas. Temos duas mil e poucas pessoas com subsídio de apoio porque a maioria nem sequer sabe que existe o estatuto de cuidador informal, muitas delas nem sequer pedem o seu reconhecimento e as poucas que vão pedindo, como o subsídio tem a ver com medidas de recurso do agregado familiar, ficam na mesma sem poder ter direitos e subsídio. Não sabemos como vai ser o apoio domiciliário, que é tão importante para a maioria dos cuidadores informais, e continuamos a ter uma legislação que chega a meia dúzia de pessoas. Temos 11 mil pessoas reconhecidas, dá que pensar", explicou a porta-voz da Associação Nacional de Cuidadores Informais.

O chefe de Estado defendeu, no sábado, mudanças na lei dos cuidadores informais para melhorar os direitos sociais destas pessoas. Agora a responsável lembra que os cuidadores têm uma tarefa muito especial e revela aquilo que lhe vai na alma.

"Fico revoltada porque os cuidados informais sempre existiram e vão continuar a existir porque as pessoas são nossas e vamos cuidar delas, mas é exatamente por sentirem isso que as coisas vão andando. Não vamos deixar as nossas pessoas à porta de ninguém, nem nos hospitais nem na Assembleia, não podemos fazer greve, não temos sindicatos nem ninguém que se junte a nós. Não podemos fazer birras a dizer que vamos despedir funcionários porque não nos despedimos a nós próprios. Acima de tudo contam com os afetos e que nós nunca deixaremos de cuidar, independentemente de haver ou não legislação que nos proteja", acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa apontou falhas na lei dos cuidadores informais, que foi aprovada há três anos, e pediu menos burocracia na inscrição dos cuidadores.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, a inscrição como cuidador informal no atual quadro legal deve ser facilitada, "reduzindo a burocracia".

Aos jornalistas, o Presidente da República defendeu que Governo e Parlamento devem ver "aquilo que, nos direitos dos cuidadores, pode ser avançado rapidamente, em termos de apoio financeiro e em termos de direitos sociais", recordando que a secretária de Estado da tutela prometeu que, até ao final do ano ou princípio do próximo, a atual lei será regulamentada, "sobre muitos pontos fundamentais".

Para Marcelo, "ninguém pode ser excluído por causa da diferença, como ninguém pode ser excluído por causa das ideias, das convicções ou na maneira de ver o mundo. Isso é que faz uma sociedade justa".

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