"É urgente contratar profissionais." Liga Contra o Cancro garante que IPO de Lisboa não é caso único

Faltam físicos médicos capazes de operar equipamentos para os tratamentos com radioterapia. Liga Portuguesa Contra o Cancro garante que a escassez destes especialistas vai muito além do IPO de Lisboa.

A Liga Portuguesa Contra o Cancro considera que é urgente resolver a falta de físicos médicos e afirma que a falta destes técnicos no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Lisboa não é caso único.

O Instituto Português de Oncologia de Lisboa tem sete aceleradores lineares, aparelhos altamente sofisticados usados nos tratamentos de radioterapia, que exigem a presença de físicos médicos, profissionais especializados que escasseiam na instituição.

"Aquilo que está a acontecer a nível do IPO de Lisboa está também a acontecer nos outros IPOs de todo o país e nos hospitais públicos onde há serviços de radioterapia", denuncia Vítor Rodrigues, presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro, em declarações à TSF.

"Infelizmente, devido à pandemia, nós vamos ter um acréscimo de doentes: os habituais em termos de temporalidade de diagnóstico, mais aqueles que têm vindo a aparecer com lesões mais avançadas e que necessitam de mais cuidados", nota Vítor Rodrigues. "É evidente que é uma situação que urge resolver a curto prazo e a médio prazo."

A carreira de físico médico não é oficialmente reconhecida, estes profissionais são considerados técnicos superiores de saúde. Por este motivo, alerta Vítor Rodrigues, podem faltar físicos médicos que cumpram as exigências da Agência Portuguesa do Ambiente.

"A Agência Portuguesa do Ambiente exige, e muito bem, um conjunto de critérios de pessoal, nomeadamente a nível de físicos médicos - e, sob o ponto de vista formal, não há propriamente físicos médicos - e corre-se o risco de, a médio prazo, não conseguirmos cumprir estas normas", avisa o presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro.

No início de junho, a TSF avançou que o IPO de Lisboa tinha perdido 50 profissionais de saúde, com o fim do estado de emergência.

A TSF sabe que três dos sete aceleradores lineares da instituição correm o risco de parar, colocando em causa os tratamentos de radioterapia não só dos doentes do IPO de Lisboa, mas também dos doentes oncológicos que são enviados pelo Centro Hospitalar de Lisboa Central e pelo Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental. A falta de recursos humanos está ainda a impedir a abertura da segunda ala do novo Bloco Operatório do IPO de Lisboa. As novas salas de cirurgia estão prontas, mas precisam de mais 25 enfermeiros e 15 assistentes operacionais.

O Governo prometeu ser rápido a avaliar os pedidos de contratação, mas mais de um mês e meio depois, o IPO de Lisboa revela que foi autorizada apenas contratação de 20 médicos.

O Ministério da Saúde comprometeu-se também com a contratação de 36 enfermeiros, 26 assistentes operacionais, quatro físicos médicos e 12 técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica.

Em resposta à TSF, o Ministério das Finanças garante que já autorizou a contratação destes 78 profissionais de saúde.

O IPO de Lisboa precisa de um reforço de 364 pessoas, até ao final do ano. O Instituto trata e acompanha 57 mil doentes com cancro. Todos os anos, recebe 14 mil novos utentes.

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