Em Moura há quem tenha saudades de sair para a rua "mais afoito"

Há seis meses que o novo coronavírus chegou a Moura para desencadear o primeiro grande surto de covid no Alentejo. Três dias depois já se contabilizavam 33 infetados, tendo os casos positivos acabado por se estender às freguesias rurais. O concelho soma 159 contágios, mas regista hoje apenas 13 casos ativos, o que leva alguns habitantes a deixarem a máscara em casa.

Enquanto se fazem horas de almoço Francisco José descansa da manhã de trabalho sentado junto à "Bica do Leão", à saída de Moura para Alqueva. Diz que já teve "mais medo" do novo coronavírus, mas hoje até deixou a máscara em casa.

"Estou tranquilo. Não evito ir a lado nenhum e na rua não uso máscara. Só a uso nos sítios em que tenho que entrar, como o comércio", conta à TSF este morador de Moura quando se completam seis meses em que a realidade neste concelho do Baixo Alentejo era bem diferente.

Ainda pouco se ouvia falar de pessoas infetadas com Covid-19 na região quando Moura conheceu o primeiro grande surto a sul do país

O presidente da Câmara, Álvaro Azedo, recorda os dias difíceis no bairro do Espadanal, que começaram de "forma muito dura", diz, reportando-se ao "elevado número de infeções na comunidade cigana", que foi sendo resolvido à 'boleia' de "uma boa articulação com os pastores. O autarca diz que com a passar dos dias foi sendo criada "uma relação de confiança entre todos".

Até aos dias de hoje Moura soma 159 infetados, pelo que Manuel Machado, do alto dos 83 anos, não tenciona facilitar. Antes da pandemia "saía mais afoito. Ia comer aos restaurantes e nunca mais fui", relata, admitindo só sair de casa para ir às compras e, mesmo na rua, nunca tira a máscara. "Tenho saudades da vida normal, mas temos que saber esperar", assume.

Também por isso, em pleno centro de Moura, a esplanada do café de Ana Silva deveria estar cheia a esta hora, mas exibe mesas vazias. "Às 2 da tarde costumava ter a esplanada cheia e lá dentro também havia muitos clientes. Mas agora as pessoas não aparecem, porque têm receio", lamenta, revelando que tem optado por fechar mais cedo, "porque não compensa ter a porta aberta".

A autarquia quer ajudar a economia a sair da crise, apostando no fator "confiança", pelo que tem colocado algumas estratégias em prática. A começar pelos lares, onde tem procurado funcionar em rede e já com resultados em carteira.

Álvaro Azedo dá o exemplo do Centro de Dia de Safara. "Tivemos um problema e foram as IPSS´s do concelho de Moura que deram a resposta com a alimentação, com os cuidados e benefícios para aquela instituição", diz, admitindo que isto traduz uma maior capacitação para responder a qualquer eventualidade. "Hoje conversamos mais. As instituições falavam pouco e hoje comunicam muito entre si", congratula-se o edil.

Já em relação às escolas é o transporte dos alunos que surge entre as prioridades, tendo o município investido 80 mil euros no reforço de viaturas para que os estudantes possam viajar com o devido distanciamento.

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