Encerramento das escolas "devia manter-se relativamente aos alunos autossuficientes"

Fernando Maltez defendeu, em declarações à TSF, que as medidas anunciadas esta quarta-feira pelo Governo já pecam por atraso.

O diretor do serviço de Infecciologia do Hospital Curry Cabral, Fernando Maltez, não concorda com a decisão do Governo, que esta quarta-feira decidiu não fechar as escolas portuguesas no âmbito do combate à Covid-19.

Em declarações à TSF, Fernando Maltez explica que o contágio é elevado, mas o problema não está dentro das escolas.

"Situa-se na mistura dos estudantes com uma população altamente infetada, onde a transmissão está muito enraizada", alerta o médico, que explica o percurso feito pelo vírus: os alunos "levam a infeção para dentro das escolas e transmitem ao staff, que por sua vez a vai transmitir nos seus domicílios, onde existem outras pessoas, que por sua vez vão transportar a infeção para outros locais".

Assim, Fernando Maltez defende que o encerramento das escolas "deveria manter-se relativamente aos alunos autossuficientes, capazes de estar em ensino à distância" e aponta que, perante a decisão do Governo, "o futuro dirá se irá ser necessário voltarmos a encerrar as escolas".

É já a partir das 00h00 de sexta-feira, 15 de dezembro, que os portugueses voltam a estar sujeitos ao dever geral de recolhimento domiciliário, uma opção que Fernando Maltez diz ser a única possível perante "estes números e esta pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde".

"O novo confinamento era mandatório, obrigatório", sustenta o médico que deixa, ainda assim, críticas ao timing do executivo. "No meu ponto de vista, peca por vir com algum atraso. Não compreendo, por exemplo, se já vem com atraso, porque é que não para se iniciar às 00h00 de hoje, mas apenas no dia 15", esclarece.

Sobre a gravidade das medidas anunciadas, Fernando Maltez defende que estas "nunca poderiam ser menos intensas e rigorosas do que aquelas que se aplicaram em março e abril", até porque nessa altura "os números não se comparavam, nem de perto nem de longe, com os que estamos a viver atualmente".

Portugal ultrapassou esta quarta-feira os 500 mil casos de infeção com o novo coronavirus registados desde o início da pandemia, em março de 2020, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

De acordo com o boletim epidemiológico da DGS, com o registo de 10.556 novos casos nas últimas 24 horas, Portugal atingiu hoje os 507.108 casos confirmados de infeção com o novo coronavírus, que provoca a doença Covid-19.

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