Encontro de vespas concentra em Guimarães seis mil vespistas de todo o mundo

Há quem a considere uma "máquina de fazer amigos" e colecione modelos como se faz com arte.

A cidade de Guimarães recebe, entre esta quinta-feira e domingo, o Encontro Europeu de Vespas 2022, onde são esperados seis mil vespistas vindos de todos os cantos do mundo.

"Desde a Austrália aos Estados Unidos, Indonésia, até do Egito. Temos 32 nacionalidades entre os inscritos", revela à TSF Álvaro Duarte Mendes, presidente do Vespa Clube de Portugal, entidade organizadora do "European Vespa Days 2022", adiado desde o ano de 2020 por causa da pandemia.

A icónica vespa atravessou várias décadas e é hoje um objeto de culto para muitos apaixonados pela pequena moto italiana de pouca cilindrada. "A vespa é uma máquina de fazer amizades. As caras que se vão ver aqui já são familiares. Apesar de seremos de canto do mundo, quase todos nos conhecemos", acrescenta.

Desde a infância que Álvaro Duarte Mendes sonhava ter "uma vespa com dois banquinhos" e hoje tem uma coleção de 12 vespas, a mais antiga fabricada em 1954. "O universo da vespa é arte. Muitos dizem que sou maluco e perguntam-me por que tenho tantas. É a minha reforma um dia. É a mesma coisa que guardar arte", explica.

A vespa, lançada pela italiana Piaggio em 1946, chegou a Portugal há 75 anos, recorda Pedro Pinto, do Vespa Clube de Lisboa, que acaba de lançar o livro "Vespa - a Beleza em duas rodas".

No Museu Alberto Sampaio, em Guimarães, estão por estes dias em exposição alguns dos principais modelos lançados ao longo dos anos, nomeadamente alguns dos mais antigos. "Não temos as primeiras porque não sobreviveram, cá em Portugal porque lá fora ainda existem, mas temos uma boa coleção nesta exposição temática, a maioria de colecionadores do norte", apresenta.

Entre os mais variados modelos e cores, de duas e de três rodas, Pedro Pinto elege a "vespa 50 ss" como uma da sua preferência, por se tratar de um modelo desportivo, raro e obrigatório em qualquer exposição temática.

Quando chegou ao mercado nacional, a vespa 50 dispensava carta de condução e vendeu-se aos milhares em Portugal. Pedro Pinto comprou a primeira quando tinha apenas 13 anos a um sucateiro, a troco de "garrafas e jornais", em prestações, mas nunca conseguiu recuperá-la. "Tentei desarmá-la, mas estava um caos, tinha o motor todo gripado. Mais tarde, quando já estava a trabalhar em Lisboa, vi um senhor ter um acidente, caiu em Alcântara, pôs-se em pé aos pontapés à vespa porque tinha acabado de a pintar. Disse que se lhe dessem dez contos vendia-a logo e eu fui a correr à fábrica pedir um adiantamento do ordenado, nessa altura ganhava seis contos e setecentos. A partir daí vinha todos os dias de Sintra nessa vespa", conta Pedro Pinto.

O Encontro Europeu de Vespas 2022 arranca esta quinta feira com a inauguração da "Aldeia Vespa", instalada no Pavilhão Multiusos de Guimarães e até domingo há um programa intenso de atividades de que se destacam o passeio oficial de 90 quilómetros (sábado, às 09h00), com passagem em vários concelhos vizinhos.

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