"Encoraja outras vítimas." Estudantes lamentam caso de professor demitido por incitação ao ódio

Estudantes acusam o professor de Economia Pedro Cosme da Costa Vieira de incitação ao ódio e à violência, sobretudo contra mulheres, ciganos e imigrantes.

A Federação Académica do Porto lamenta o caso do professor demitido após comentários xenófobos e sexistas, mas sublinha que a demissão vem na defesa da universidade como um espaço de liberdade e respeito. Ana Gabriela Cabilhas, presidente da Federação Académica do Porto, espera que este caso sirva de exemplo e, mais do que isso, de incentivo à denúncia de outras situações com os mesmos contornos.

"A própria demissão na sequência de terem sido comprovados estes comportamentos encoraja a que outras eventuais vítimas denunciem este tipo de situações. Quero reforçar que as instituições de ensino superior devem ter espaço de liberdade, respeito e qualquer tipo de comportamento que coloque em casa uma vivência saudável deve ser punida", explicou à TSF Ana Gabriela Cabilhas.

Os estudantes acusam o professor de Economia Pedro Cosme da Costa Vieira de incitação ao ódio e à violência, sobretudo contra mulheres, ciganos e imigrantes. A demissão surge depois de o doente ter sido alvo de uma denúncia assinada por 129 estudantes que o acusam de incitação ao ódio.

Na denúncia, com data de 2021, assinada por 129 alunos é descrito que o ambiente das aulas era tóxico e discriminatório, com vários atentados à cidadania. Entre as frases que terão sido ditas pelo professor estão: "As mulheres brasileiras são uma mercadoria" ou "Sabem o que é uma caçadeira? Aquela arma que os homens usam para matar as mulheres".

A Universidade do Porto deu como provados os comportamentos relatados pelos estudantes, na sequência deste processo. O professor já tinha sido suspenso por 90 dias, teve um prazo de dez dias úteis para recorrer da decisão, mas não avançou. Contactada pela TSF, a Universidade do Porto confirma que no início deste ano o senado aprovou por maioria a demissão do professor. O despacho, assinado pelo reitor António Sousa Pereira, foi justificado "tendo em conta os comportamentos descritos e provados que resultam do Relatório Final".

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