Enfarte mata em média 12 portugueses por dia. A pandemia não é desculpa para esquecer o coração

Menos idas à urgência, mais sedentarismo durante o confinamento. No Dia Mundial do Coração, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia pede aos portugueses que não negligenciem a prevenção de doenças cardiovasculares.

Todos os anos morrem em Portugal cerca de 33 mil pessoas devido a doenças cardiovasculares, um terço do total de óbitos. Só o enfarte do miocárdio mata, em média, 12 pessoas por dia, o dobro das registadas esta terça-feira devido à Covid-19. É precisamente a pandemia, no entanto, que pode estar a contribuir para aumentar a mortalidade associada a este tipo de doenças, alerta a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC).

"O receio da infeção por Covid-19 levou à redução de idas às urgências, em particular com situações agudas como os enfartes do miocárdio, nos quais o tratamento urgente é fundamental e a ser efetivamente uma realidade", alerta Ana Teresa Timóteo, Secretária-Geral Sociedade Portuguesa Cardiologia, em declarações à TSF. "Com enfartes que não foram adequadamente identificados e tratados dentro do tempo adequado, poderemos ter sequelas a médio-longo prazo relacionados com esta situação."

Também "com o confinamento aumentou o sedentarismo, que associado a outros hábitos de vida menos saudáveis, particularmente associados a alimentação (excesso de sal, excesso de gorduras saturadas, excesso de açúcar, entre outros), contribuiu seguramente para um aumento de fatores de risco cardiovasculares, o que pode vir a causar um aumento das doenças cardiovasculares."

Além disso, "o próprio coronavírus causa doenças do coração", explica Ana Teresa Timóteo, uma vez que pode causar uma infeção muito específica do músculo do coração, contribuindo para a falência da sua função de bomba, ou mesmo provocar enfartes do miocárdio, "seja pela inflamação associada que altera a placa de aterosclerose das artérias do coração, seja pela baixa oxigenação do sangue que encontramos nos casos mais graves de infeção manifestadas com pneumonias graves."

No Dia Mundial do Coração, a especialista lembra que as doenças cardiovasculares "não desapareceram com a Covid-19. Mais do que nunca, é preciso estar atento a sinais de eventual enfarte agudo do miocárdio - dor no peito intensa e falta de ar - e recorrer às urgências ou chamar o 112 sem hesitação. As unidades de saúde foram estruturadas de forma a criar circuitos separados de doentes com suspeita de Covid e não Covid", pelo que não há motivos para recear ir ao hospital.

A prevenção é também imprescindível: adotar uma alimentação saudável, praticar exercício físico regular e vigiar os níveis de colesterol, um dos principais fatores de risco modificáveis nas doenças das cardiovasculares. Mais de 63% dos portugueses entre os 25 e os 74 anos apresentam níveis elevados de colesterol, o que significa que podem estar em risco iminente de sofrer um enfarte do miocárdio ou um acidente vascular cerebral (AVC).

Para combater este "inimigo silencioso", a partir desta terça-feira e até 4 de outubro, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) está a promover rastreios gratuitos, com avaliação dos níveis de colesterol e de outros parâmetros de saúde que podem contribuir para o risco cardiovascular (como o cálculo do IMC e verificação do perímetro abdominal), no centro comercial Alegro Alfragide, em Lisboa. Basta procurar a artéria gigante instalada na praça central.

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