Enfermeira-chefe do IPO do Porto infetada. Trabalhou uma semana com sintomas

Toda a equipa está a fazer análises. Há um outro caso de uma enfermeira que infetou o marido, sendo que o homem acabou por morrer.

Toda a equipa do serviço de análises do IPO do Porto está a fazer análises de despiste à Covid-19, depois de a enfermeira-chefe do serviço ter acusado positivo.

A informação foi apurada pela TSF junto de um dos elementos do corpo clínico e confirmada pelo presidente do Conselho de Administração do hospital, Rui Henrique.

A responsável trabalhou vários dias e já tinha sintomas que se identificavam com os do novo coronavírus.

Na semana passada a enfermeira-chefe do serviço de análises do IPO do Porto já estava com febre e apresentava sintomas ao nível respiratório, mas desvalorizou a situação. Um elemento do corpo clínico, que não quer ser identificado, diz que os colegas questionaram a enfermeira, mas esta dizia sempre que era uma constipação.

Uma vez que não melhorava, no fim de semana contactou as autoridades de saúde, fez o teste à Covid-19 e o resultado foi positivo.

À TSF, o presidente do Conselho de Administração do IPO do Porto, Rui Henrique, confirmou que a enfermeira-chefe dos serviços de análise tem Covid-19, mas garante que a profissional está em casa desde sexta-feira.

Para já, não está em cima da mesa fazer rastreios aos doentes, uma vez que esta enfermeira-chefe, explica o responsável, não contacta diretamente com os mesmos.

"É uma enfermeira com posições de gestão e que não está a prestar cuidados diretos aos pacientes", explica Rui Henrique.

"Fomos analisar todos os que profissionalmente, dentro da instituição e nesses dias, contactaram com ela. Se houvesse doentes potencialmente envolvidos, teríamos exatamente o mesmo procedimento", garante.

Há já uma outra enfermeira do serviço de análises que também é um caso confirmado de coronavírus, depois de ter realizado o teste no domingo.

Esta terça-feira, soube-se destes dois casos - que apesar dos sintomas continuaram a trabalhar - e já esta tarde toda a equipa, incluindo assistentes operacionais e enfermeiros do serviço de análises, foi deslocada para o Hospital de São João, no Porto, onde fizeram o teste de despiste à Covid-19.

O serviço de análises inclui, além das colheitas - quer de rotina, quer a doentes que estão a fazer quimioterapia -, limpezas a cateteres, transfusões de sangue e hemoterapia.

A TSF apurou que, neste momento, o serviço de análises tem apenas uma auxiliar e uma enfermeira que regressaram esta segunda-feira ao trabalho. Rui Henrique garante que este serviço está a funcionar normalmente e que foram mobilizados meios de outras unidades.

Morte por contágio direto

Há ainda um outro caso positivo de uma enfermeira do bloco central, que trabalhou até 16 de março. Toda a equipa que esteve no bloco está de quarentena.

Esta enfermeira do bloco central infetou o marido, que recentemente tinha sofrido um AVC e acabou por morrer com Covid-19.

A fonte do IPO do Porto, que pertence ao corpo clínico, lamenta que, neste momento, só exista acesso a máscaras de proteção iguais às que dão aos doentes mais frágeis. Na tarde desta terça-feira começou a ser montado um hospital de campanha no parque de estacionamento do IPO do Porto.

Até ao momento, o IPO do Porto regista sete casos positivos de Covid-19 e tem 78 profissionais em quarentena, um número que deverá aumentar com o pessoal do serviço de análises que contactou com a enfermeira-chefe.

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