Enfermeiros de cirurgia do Hospital de Faro pedem exclusão de responsabilidade

Numa carta enviada à administração hospitalar, os profissionais afirmam não poder assegurar a segurança dos doentes. A carta é assinada por 30 enfermeiros que consideram ser a melhor forma de se salvaguardarem.

A equipa de enfermagem de cirurgia Poente do Hospital de Faro declara que "não está em condições de assegurar a vida e a segurança das pessoas" e os cuidados de enfermagem aos seus doentes, "não obstante estar a desenvolver todos os esforços para evitar qualquer incidente."

No documento, enviado à presidente do Conselho de Administração e à enfermeira diretora do Centro Hospitalar e Universitário do Algarve (CHUA) estes profissionais de saúde adiantam que no atual quadro pandémico não se verifica a dotação necessária de enfermeiros para o exercício profissional em segurança, facto que "só pode ser imputado à gestão da instituição".

Os enfermeiros sublinham que se tem verificado uma pressão adicional sobre os recursos humanos e técnicos disponíveis e que pode recair sobre eles a eventual "responsabilidade disciplinar, civil ou mesmo criminal" dos doentes a seu cargo, responsabilidade que dizem não aceitar.

Desta forma os enfermeiros do serviço de cirurgia poente pedem "exclusão de responsabilidade".

Entretanto a Administração do CHUA já mostrou disponibilidade para reunir com os enfermeiros no início da próxima semana. No entanto, admite que não tem soluções para colmatar a falta de profissionais.

Este Centro Hospitalar e este conselho de administração tem estado empenhado em contratar todos os enfermeiros que estejam disponíveis", afirma a enfermeira- diretora do CHUA. Mariana Santos salienta que tem pedido o apoio da Ordem dos Enfermeiros que, por seu lado, tem enviado com alguma regularidade listagens dos enfermeiros que se acabaram de inscrever na Ordem. No entanto, de acordo com a mesma responsável, não estão a ser bem-sucedidos" Nesta altura se houvesse 100 enfermeiros disponíveis no mercado, era 100 enfermeiros que o Centro Hospitalar ia admitir", garante.

A enfermeira diretora do CHUA admite que a pressão sobre os enfermeiros tem sido muito grande devido à pandemia e ao maior afluxo de pessoas às urgências. " Nesta altura estamos a ativar o nosso plano de contingência e a abrir mais unidades para atendimento covid e os enfermeiros têm que responder a todas essas necessidades", acrescenta. " Os enfermeiros estão exaustos e não estamos a ver que a curto prazo consigamos resolver a situação", admite.

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