Enfermeiros querem investigação ao surto no lar de Reguengos de Monsaraz

A Ordem dos Médicos diz que o lar não seguia as orientações da Direção-Geral da Saúde.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) defendeu esta sexta-feira investigações do Ministério Público (MP) e da Segurança Social ao surto de Covid-19 no lar em Reguengos de Monsaraz, considerando preocupantes e graves as conclusões da auditoria dos médicos.

"Encaramos os resultados da auditoria com muita preocupação. São conclusões graves e naturalmente merecem uma investigação", afirmou à agência Lusa Celso Silva, da Direção Regional do Alentejo do SEP.

O dirigente sindical falava a propósito do relatório da comissão de inquérito da Ordem dos Médicos (OM) para avaliar as circunstâncias clínicas do surto de Covid-19 no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva (FMIVPS), em Reguengos de Monsaraz (Évora), que alastrou à comunidade.

O lar onde começou o surto de Covid-19, que provocou no total a morte de 18 pessoas, não cumpria as orientações da Direção-Geral da Saúde, conclui a auditoria, divulgada na quinta-feira à noite e à qual a Lusa teve acesso, com a comissão da OM a apontar responsabilidades à administração, mas faz também críticas à Autoridade de Saúde Pública e à Administração Regional de Saúde.

Celso Silva advertiu que "é preciso averiguar" se as condições em que funcionava o lar da FMIVPS "correspondem àquilo que refere o relatório" da comissão de inquérito OM e, caso se confirme, "é preciso apurar responsabilidades".

"Não só o Ministério Público, mas também a Segurança Social deve investigar as condições em que funcionava o lar no sentido de apurar responsabilidades", porque é o organismo que "tutela os lares", sublinhou.

O dirigente do SEP no Alentejo notou que "o MP e a Segurança Social têm competência para apurar se havia alguma inconformidade ou não no lar", realçando, contudo, que a fundação precisa de dar "um passo em frente".

"Independentemente de se apurarem ou não responsabilidades, o importante é resolver o problema e a fundação contratar profissionais, desde logo enfermeiros, para que, num futuro próximo, não se repita esta situação", assinalou.

O sindicato já reuniu com a direção da FMIVPS, disse Celso Silva, indicando que a instituição ficou de enviar para o SEP uma proposta para a contratação de enfermeiros a tempo inteiro.

O surto no lar provocou um total 162 casos de infeção, incluindo 18 mortos: 16 utentes, uma funcionária do lar e um homem da comunidade.

No lar, foram contaminados 80 utentes e 26 profissionais, mas a doença propagou-se à comunidade e infetou outras 56 pessoas.

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