Reportagem TSF

Engenheiro aeroespacial e médica aprendem a ser pastores

Frequentam curso que decorre em Vila Pouca de Aguiar até outubro. Objetivo é rejuvenescer e valorizar a pastorícia e a criação de animais

Antigamente, fugiam da agricultura e da pastorícia. Hoje, aproximam-se delas. Jovens licenciados inscreveram-se na Escola de Pastores do Alvão, que decorre até outubro em Vila Pouca de Aguiar, no distrito de Vila Real. É o caso do engenheiro aeroespacial Henrique Granja, da futura médica Beatriz Peixoto e da professora de Informática Ana Catarina Fraústo.

O "gosto pela agricultura, pelos animais e pela natureza" é a resposta comum aos 20 alunos desta escola. Trata-se de uma iniciativa da Federação Nacional das Raças Autóctones, em parceria com a Associação Florestal e Ambiental de Vila Pouca de Aguiar (Aguiarfloresta). O objetivo é rejuvenescer e valorizar a pastorícia e a criação de animais.

Duarte Marques, da Aguiarfloresta, ficou surpreendido com adesão inicial. "Inscreveram-se 51 pessoas e selecionámos 20. Contávamos ter formandos ligados ao setor e foi uma surpresa verificar que são provenientes de áreas profissionais diversas."

Tomás Rodrigues é um jovem de 17 anos, vive em Paredes e chegou à Escola de Pastores do Alvão com ideias bem definidas. Cresceu em contacto com a agricultura e com os animais, já tem um rebanho com 30 ovelhas, vacas e póneis. Está a acabar o 12.º ano e o objetivo é "fazer vida nesta área" e candidatar-se a "um projeto de jovens agricultores".

Os desafios que Tomás começou a definir muito cedo só passaram a fazer parte da vida de Ana Catarina e Davide Fraústo - ela professora de Informática, ele técnico de higiene e segurança no trabalho - quando se fartaram de viver em Lisboa e foram morar para uma aldeia de Santarém, onde compraram uma quinta, têm um rebanho de 45 cabras e já produzem queijo.

É com "muita força de vontade" que ambos mantêm as profissões e procuram conciliá-las com a agropecuária. Muitas vezes é preciso "levantar duas horas mais cedo para gerir a exploração antes de ir para o trabalho". Ao fim da tarde, têm os animais à espera para nova dose de esforço.

Ana, de 37 anos, natural de Odivelas, diz que o objetivo é "chegar às 600 cabras". Com o crescimento da exploração, a Informática "pode passar de plano A para plano B", embora reconheça que é uma área que, "cada vez mais, pode ser desenvolvida à distância".

Se para Tomás Rodrigues e para Ana Catarina é um acrescentar de conhecimentos, para Beatriz Peixoto, de 24 anos, tudo é novo na escola de pastores. Nasceu, cresceu e está a acabar de formar-se em Medicina na cidade do Porto. Inscreveu-se porque sentiu necessidade de "contactar de perto com a agricultura e com a pecuária. "Quero perceber se é algo que possa incluir no meu futuro." Quem sabe se "um plano B associado ao plano A".

Henrique Granja, de 24 anos, concluiu em janeiro o mestrado integrado de Engenharia Aeroespacial no Instituto Superior Técnico de Lisboa. Ainda está à procura de emprego na área, mas admite que o setor agropecuário pode vir a ser "um plano A".

O jovem natural de Barcelos acredita que, "no futuro, a pastorícia vai ter um grande papel económico e social", nomeadamente ao nível da "gestão da paisagem". Por outro lado, "é uma área com potencial para serem utilizadas novas tecnologias". E é aí que podem aplicar-se alguns conhecimentos do seu curso, seja através da "utilização de drones para fazer a gestão do território, calculando a quantidade de biomassa", seja para "facilitar o trabalho do pastor, melhorar a produção ou escolher que decisões tomar".

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