Homem que usou dispositivos eletrónicos para atear 16 fogos condenado a 25 anos de prisão

Coletivo de juízes deu como provado os factos relativamente aos incêndios florestais.

O Tribunal de Castelo Branco condenou esta quarta-feira a 25 anos de prisão, pena máxima, um homem com formação em engenheira eletrotécnica acusado de 16 crimes de incêndio florestal, um dos quais agravado, ocorridos entre 2017 e 2020 na região Centro.

Em acórdão proferido no Tribunal Judicial da Comarca de Castelo Branco, o coletivo de juízes deu como provado os factos relativamente aos incêndios florestais e condenou o arguido a uma pena de nove anos de prisão por cada um dos 15 incêndios e a uma pena agravada de 11 anos de prisão por um incêndio que causou uma vítima.

O homem de 39 anos, residente no concelho da Sertã, no distrito de Castelo Branco, estava em prisão preventiva desde julho de 2021.

Na primeira sessão de julgamento, o arguido assumiu perante o tribunal que os factos que constam na acusação do Ministério Público (MP) são "verdade integralmente", exceto o incêndio registado em 22 de junho de 2017, sobre o qual afirmou "não se recordar", embora tenha admitido conhecer o local onde aquele ocorreu.

A investigação começou em 2018 e culminou com a detenção de um homem com formação em engenheira eletrotécnica suspeito de ter ateado vários incêndios florestais nos concelhos de Sertã e Proença-a-Nova, no distrito de Coimbra, que deflagraram com recurso a engenhos eletrónicos alegadamente elaborados pelo suspeito.

O acusado usava um temporizador programado para uma certa hora ou dia (tinha capacidade de programar até 11 dias de distância), sendo que o fecho do circuito provocava a incandescência no filamento de uma lâmpada, que estava exposto e que permitia a ignição da matéria combustível próxima.

Tal engenho permitia que o autor podia "estar no trabalho ou no plano social e não ter nada a ver com o momento em que o incêndio começa", realçou em julho de 2021, o diretor nacional adjunto da PJ, Carlos Farinha, referindo que os incêndios, muitas vezes, eram programados para coincidirem com eventos sociais de maior impacto, como foi o caso de um incêndio em 2020, em que aconteceu ao mesmo tempo que decorria a Festa do Maranho, na Sertã.

Notícia corrigida no dia 27 de outubro com indicação de que o homem em causa tem formação em engenheira eletrotécnica mas não é engenheiro, como fora mencionado inicialmente, uma vez que não está inscrito na Ordem dos Engenheiros

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