"Escalas incompletas." Sindicato dos Médicos admite que urgência do Hospital de Braga volte a encerrar esta semana

Dirigente do Sindicato Independente dos Médicos acrescenta que o mais provável é que o serviço venha a fechar por mais de um dia.

A urgência de ginecologia e obstetrícia do Hospital de Braga deve reabrir por volta das 8h da manhã de segunda-feira, mas Hugo Cadavez, dirigente do Sindicato Independente dos Médicos, admite que a urgência de obstetrícia daquela unidade pode voltar a encerrar esta semana porque não dispõe de médicos suficientes.

"Infelizmente este encerramento da urgência de obstetrícia do Hospital de Braga irá acontecer mais dias durante esta próxima semana. Sabemos que as escalas incompletas desses dias já foram comunicadas ao conselho de administração, agora competirá ao conselho de administração deliberar esse encerramento. É a única decisão possível face à inexistência de recursos humanos, médicos suficientes para manter uma urgência destas aberta. Relembro que estamos a falar de um hospital com mais de 2500 partos por ano, faz até mais partos do que o Hospital de São João", explicou à TSF Hugo Cadavez.

O dirigente do Sindicato Independente dos Médicos acrescenta que o mais provável é que o serviço venha a fechar por mais de um dia e, se isso acontecer esta semana, não terá nada a ver com a existência de um feriado na sexta-feira.

"Não sabemos exatamente quais são os dias, mas temos conhecimento de que em vários dias desta semana que agora se inicia a urgência vai encerrar. Não é um problema pontual, apenas da próxima semana. Durante os próximos meses vão existir vários dias de encerramento, em que a escala está abaixo do mínimo. Se nada for feito, esta situação persistirá", afirmou o dirigente do Sindicato Independente dos Médicos.

Hugo Cadavez diz que, na base deste problema no Hospital de Braga, está a saída de muitos médicos do quadro, afugentados pelo subfinanciamento do setor.

"Neste Hospital de Braga saíram já nove médicos obstetras, não só por aposentação mas também por renúncia de contrato, incluindo até da própria diretora do serviço. O serviço de obstetrícia não tem, neste momento, diretora e vão sair ainda mais dois médicos durante o próximo mês. Não é um problema pontual, é estrutural, é um problema de saídas sem precedentes de médicos do Serviço Nacional de Saúde que vai continuar se nada for feito para criar condições de trabalho e remuneratórias que permitam captar e fixar médicos no SNS", acrescentou.

Nos últimos dias, vários serviços de urgência de obstetrícia e ginecologia e bloco de partos de diversos pontos do país tiveram de encerrar por determinados períodos ou funcionaram com limitações, devido à dificuldade dos hospitais em completarem as escalas de serviço de médicos especialistas.

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